\t\tCom os Metallica é sempre assim. A banda que conseguiu quebrar as fronteiras do heavy metal (HM) arrasta largas dezenas de milhares de fãs portugueses para os seus concertos. E o ambiente hoje no Rock in Rio não podia ser mais favorável ao grupo de S. Francisco: Moonspell, Apocalyptica e Machine Head não deixarão com certeza de prestar homenagem aos campeões de venda do metal no palco mundo..À partida, o caso do grupo português será o que menos semelhanças terá com os cabeça-de-cartaz. Influenciados na sua génese por uma simbiose entre black metal e gótico, o trabalho dos Moonspell seguiu aparentemente caminhos diferentes do thrash metal que os Metallica ajudaram a criar. Mas só aparentemente. Tal como os Metallica, também os Moonspell seguiram caminhos experimentalistas na década de 90, pelos quais foram criticados pelos fãs mais tradicionais. E tal como os Metallica são um ícone internacional, o grupo português tornou-se num fenómeno comercial, sendo uma das poucas bandas do género a chegar ao primeiro lugar de vendas em Portugal - tanto com o álbum Memorial, como com o recente Night Eternal..Já com as outras bandas, as associações são mais fáceis de fazer. Os Machine Head são herdeiros de uma segunda vaga do chamado thrash metal da Bay Area - a zona de S. Francisco, nos Estados Unidos, onde nasceram as bandas que moldaram esse subgénero, como os Metallica, Exodus, Megadeth ou Testament. Com o tributo a essa influência, os Machine Head - liderados por Robb Flynn, antigo membro dos Vio-Lence - incluíram uma versão de Battery, uma das músicas mais conhecidas dos Metallica, no seu último álbum, The Blackening. E as semelhanças com o original não deixam margem para dúvidas. Em relação aos Apocalyptica, é amplamente conhecida a história destes finlandeses que reinventaram a música dos Metallica através de... quatro violoncelos..No entanto, e apesar das centenas de milhares de discos vendidos por bandas como os Metallica, o HM continua a ser considerado um nicho de mercado. E diga-se que os metaleiros não se importam muito com isso..Rebeldia musical.Os ambientes são na sua maioria escuros, saturados pelo calor e pelo suor. Durante grande parte do ano é assim. Os concertos de heavy metal não saem de pequenas salas apinhadas de camisolas escuras e de uma tribo que mantém vivas antigas tradições: cabelos compridos, calças de ganga elásticas, blusões com insígnias de bandas. E a dança macabra do mosh, estranho ritual, onde a camaradagem se demonstra através de pontapés e empurrões.."Violência", define o espectador que assista de fora. "Violência motivada por música violenta, que mais não é do que barulho", é o preconceito mais comum em relação ao metal. Os fãs não se importam. Afinal, ir contra o socialmente correcto foi o que criou o género musical.."O heavy metal é o único género musical que mantém a rebeldia do rock dos anos 50". Tal como para Dee Snider, vocalista dos Twisted Sister - uma das bandas de HM mais famosas nos Estados Unidos na década de 80, os anos de ouro do metal -, o sentimento de transgressão e rebeldia tem marcado gerações de metaleiros desde que o género foi criado, no final dos anos 60.