Metal sobrevive a várias gerações e sobe hoje ao palco do Rock in Rio

'Heavy metal' nasceu no final da década de 60 e tem sabido renovar-se
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\t\tCom os Metallica é sempre assim. A banda que conseguiu quebrar as fronteiras do heavy metal (HM) arrasta largas dezenas de milhares de fãs portugueses para os seus concertos. E o ambiente hoje no Rock in Rio não podia ser mais favorável ao grupo de S. Francisco: Moonspell, Apocalyptica e Machine Head não deixarão com certeza de prestar homenagem aos campeões de venda do metal no palco mundo.


À partida, o caso do grupo português será o que menos semelhanças terá com os cabeça-de-cartaz. Influenciados na sua génese por uma simbiose entre black metal e gótico, o trabalho dos Moonspell seguiu aparentemente caminhos diferentes do thrash metal que os Metallica ajudaram a criar. Mas só aparentemente. Tal como os Metallica, também os Moonspell seguiram caminhos experimentalistas na década de 90, pelos quais foram criticados pelos fãs mais tradicionais. E tal como os Metallica são um ícone internacional, o grupo português tornou-se num fenómeno comercial, sendo uma das poucas bandas do género a chegar ao primeiro lugar de vendas em Portugal - tanto com o álbum Memorial, como com o recente Night Eternal.


Já com as outras bandas, as associações são mais fáceis de fazer. Os Machine Head são herdeiros de uma segunda vaga do chamado thrash metal da Bay Area - a zona de S. Francisco, nos Estados Unidos, onde nasceram as bandas que moldaram esse subgénero, como os Metallica, Exodus, Megadeth ou Testament. Com o tributo a essa influência, os Machine Head - liderados por Robb Flynn, antigo membro dos Vio-Lence - incluíram uma versão de Battery, uma das músicas mais conhecidas dos Metallica, no seu último álbum, The Blackening. E as semelhanças com o original não deixam margem para dúvidas. Em relação aos Apocalyptica, é amplamente conhecida a história destes finlandeses que reinventaram a música dos Metallica através de... quatro violoncelos.

No entanto, e apesar das centenas de milhares de discos vendidos por bandas como os Metallica, o HM continua a ser considerado um nicho de mercado. E diga-se que os metaleiros não se importam muito com isso.


Rebeldia musical


Os ambientes são na sua maioria escuros, saturados pelo calor e pelo suor. Durante grande parte do ano é assim. Os concertos de heavy metal não saem de pequenas salas apinhadas de camisolas escuras e de uma tribo que mantém vivas antigas tradições: cabelos compridos, calças de ganga elásticas, blusões com insígnias de bandas. E a dança macabra do mosh, estranho ritual, onde a camaradagem se demonstra através de pontapés e empurrões.


"Violência", define o espectador que assista de fora. "Violência motivada por música violenta, que mais não é do que barulho", é o preconceito mais comum em relação ao metal. Os fãs não se importam. Afinal, ir contra o socialmente correcto foi o que criou o género musical.


"O heavy metal é o único género musical que mantém a rebeldia do rock dos anos 50". Tal como para Dee Snider, vocalista dos Twisted Sister - uma das bandas de HM mais famosas nos Estados Unidos na década de 80, os anos de ouro do metal -, o sentimento de transgressão e rebeldia tem marcado gerações de metaleiros desde que o género foi criado, no final dos anos 60.

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