Memória viva de Variações 25 anos depois

Família assinala 25 anos da morte do cantor  com uma missa na Basílica da Estrela e convidou os seus admiradores. Músico inspirou uma instalação patente em Lisboa, e a Utopia Filmes pretende levá-lo ao grande ecrã.
Publicado a
Atualizado a

Na madrugada de 13 de Junho de 1984, Lisboa deitava-se depois de mais uma noite de Santo António. No Hospital da Cruz Vermelha, António Variações morria com apenas 39 anos. Foi há 25 anos. Para assinalar a data, a sua família celebra hoje, às 12.25, uma missa em memória do cantor na Basílica da Estrela. "É simbólico porque, há 25 anos, o corpo saiu desta mesma igreja. Nessa altura um mar de gente despediu-se do António", recorda o irmão, Jaime Ribeiro.

Num anúncio publicado ontem nas páginas do DN, a família de Variações convidou os seus admiradores para a cerimónia, apesar de saber que muitas pessoas não quererão participar neste acto religioso. Independentemente da presença dos seus admiradores na basílica, Jaime Ribeiro sabe que o irmão continua a despertar as atenções de uma nova geração. "Estive na inauguração da Experiência Variações e estava lá muita gente jovem, isso espantou-me. O público não tinha a idade do António, tinha 20, 30 anos", recorda.

De facto, 25 anos depois da sua morte, António Variações continua a ser um nome incontornável. A atestá-lo está a referida Experiência Variações, instalação performativa patente na Fábrica do Braço de Prata, em Lisboa, que assinala os 25 anos da morte do intérprete. O músico devia também ter chegado aos grandes ecrãs este ano, num filme produzido pela Utopia Filmes e intitulado apenas de Variações. Mas após o afastamento do argumentista e realizador João Maia, que entretanto avançou com uma providência cautelar, o projecto está parado. Já a EMI, que gere parte do seu catálogo, não tem previstas novas edições discográficas para este ano.

Não obstante, é na música que a influência da primeira estrela da pop portuguesa mais se sente. Passou como um cometa pelo panorama pop/rock nacional dos anos 80, lançando dois álbuns e outros tantos singles entre 1982 e 1984. Mesmo assim, ao longo dos anos foram descobertos inéditos, incluindo os temas que o projecto Humanos viria a recriar já nesta década. E mais recentemente, uma nova geração de bandas e cantautores com ligações a editoras independentes como a FlorCaveira ou a Amor Fúria voltaram a trazer o seu nome para a ribalta.

A forma como conciliou uma linguagem anglo-saxónica como é a pop com a tradição musical portuguesa, continua inigualável. Algo notável para o rapaz que em 1957, só com a 4.ª classe, abandonou a pequena aldeia do Minho onde nasceu. O resto da história já é conhecida.

Abriu o primeiro cabeleireiro unissexo da capital, depois uma barbearia na Baixa. Em 1981, a meio de uma tarde de domingo, espantou O Passeio dos Alegres, de Júlio Isidro, com a canção Toma O Comprimido. Nascia um ícone. Estrear-se-ia em disco passado um ano, com o single Povo Que Lavas No Rio/Estou Além. Em 1983 edita o álbum Anjo-da-Guarda, que dedica a Amália, e o single É P'ra Amanhã. Em Maio do ano seguinte lança Dar e Receber, último disco, produzido por Pedro Ayres de Magalhães e Carlos Maria Trindade, dos Heróis do Mar que o acompanharam em estúdio. Passados alguns dias dava entrada no hospital. Deixou por gravar dezenas de maquetes, e o seu fantasma continua a pairar sobre a música portuguesa.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt