O caso foi revelado hoje, na Conferência sobre Retrovírus e Infeções Oportunistas, que decorreu em Atlanta, nos Estados Unidos. Apesar de não ter sido revelado o nome nem o sexo da criança, sabe-se que ela nasceu e vive no Mississipi. Este é, ao que tudo indica, o primeiro caso de "tratamento funcional" de uma criança infetada com o vírus HIV. O único caso conhecido foi de um paciente adulto, na Alemanha, que em 2007 ficou curado após um transplante de medula..Um paciente está funcionalmente curado do HIV quando, apesar de ainda poder ter no seu organismo algum vestígio do vírus, este já não é detetado na análises. Segundo explicou ao The Guardian a médica Hannah Gay, do centro médico da Universidade do Mississipi, após um ano sem tomar qualquer medicamento "o sangue da criança permanece livre de vírus".."Achamos que este bebé tem grandes hipóteses de ter uma vida longa e saudável. E esperamos que este tipo de tratamento funcione também noutros bebés de alto risco.".Com melhores medicamentos e estratégias de prevenção, o número de crianças que nascem com o vírus HIV diminuiu significativamente nos países mais desenvolvidos. Normalmente, uma mulher com HIV toma medicamentos anti-retrovirais durante a gravidez e o recém-nascido continua esse tratamento de forma a reduzir o risco de mais infeções. Este tipo de abordagem tem uma eficácia de 98%, evitando a transmissão do vírus da mãe para o filho..No caso agora revelado, a mãe não sabia que tinha o vírus e por isso não fez qualquer medicação durante a gravidez. Só descobriu quando fez as análises básicas ao ser internada para dar à luz. "O risco do bebé estar infetado era muito alto", explicou a médica..Nestes casos, a Organização Mundial de saúde aconselha um tratamento moderado ao recém-nascido durante as primeiras 4 a 6 semanas de vida. Nessa altura, se os testes para HIV forem positivos, passa-se para uma abordagem mais agressiva..No entanto, este bebé começou a ser medicado logo 30 horas após o nascimento. E em vez de um só anti-retroviral, os médicos decidiram usar um tratamento mais agressivo, com três tipos diferentes de anti-retrovirais. Poucos dias depois, as análises revelaram que a criança estava infetada e os médicos continuaram o tratamento. Um mês depois, o nível de infeção no sangue diminuiu substancialmente. .A partir de uma dada altura, a mãe começou a falar as consultas. A criança tinha 18 meses quando parou o tratamento por completo. Quando voltou ao hospital, cinco meses depois, os médicos esperavam o pior. "Mas todos os testes deram negativo, o que foi uma surpesa.".A equipa acredita que o sucesso se deveu ao facto de o tratamento ter sido tão potente e por terem agido tão cedo, antes das células CD4 estarem infetadas, e sabem que o resultado não seria o mesmo com crianças mais velhas ou adultos.