O médico português João Aurélio Duarte, detido quinta-feira no Brasil, está a ser investigado em Portugal por uma fraude à ADSE na ordem dos 7,5 milhões de euros (1,5 milhões de contos). Ao que o DN apurou, em causa está uma rede de clínicas de fisioterapia do grupo JAD, Gestão de Unidades de Saúde construída e gerida por aquele clínico que terá facturado ao Estado exames e receitas médicas fictícias, obtendo fraudulentamente comparticipações da ADSE. O médico deverá ser extraditado em breve para Portugal..A investigação deste inquérito está a cargo da Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira (DCICCEF) da Polícia Judiciária, segundo apurou o DN, conta com mais de 500 mil documentos apreendidos nas várias clínicas do Grupo JADem buscas realizadas pelos inspectores da DCICCEF. Na origem do inquérito esteve uma inspecção realizada pelo gabinete de autoria da ADSE, o qual enviou as conclusões para o Ministério Público. O gabinete terá detectado um anormal fluxo de comparticipações para a mesma entidade, procedendo à respectiva averiguação. Por sua vez, perante a análise dos documentos apreendidos, a PJ terá chegado à conclusão que a grande maioria dos actos de fisioterapia foram simulados, de modo a obter a respectiva comparticipação do Estado..O anúncio da detenção de João Aurélio Duarte no Brasil apanhou as autoridades portuguesas de surpresa. É que, de acordo com informações recolhidas, apesar da detenção ter ocorrido na passada quinta- -feira, a Polícia Federal Brasileira não comunicou o facto à PJ em Lisboa. João Aurélio Duarte estava há mais de um ano no estado de Pernambuco, cuja capital é Recife, onde lidera a holding JAD Investimentos e Participações, que reúne sete empresas. .Entre elas está a ADMED, um plano de assistência médica no Recife, adquirido em Maio de 2004 pelo empresário, com cerca de 55 mil subscritores..A detenção do médico foi efectuada pela Polícia Federal brasileira, após determinação do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) a pedido das autoridades portuguesas que analisou o mandado de detenção internacional emitido pelo MP português..O processo em Portugal já levou ao congelamento das contas bancárias do grupo português, por ordem do Tribunal de Instrução Criminal, criando um clima de apreensão junto dos trabalhadores que não recebem ordenados desde o início do inquérito (ver edição de 6 de Setembro de 2004).Após a ida de João Aurélio Duarte para o Brasil, o grupo passou a ser gerido pelo filho, João Bruno Duarte..No Brasil, João Aurélio Duarte manteve-se no negócio da Saúde, adquirindo a empresa Admed Planos de Saúde no estado de Pernambuco, onde foi detido, e chegou a negociar a compra de acções do Hospital Geral e Urgência também no mesmo estado..Em Portugal, o Grupo JAD estava centrado na região de Lisboa e realizava cerca de mil atendimentos por dia. O volume de negócio atingiria os 1,7 milhões de euros por ano, facturado nas oito clínicas de fisioterapia. Em 9 de Julho de 2004, a actual administração informou os trabalhadores que não conseguia desbloquear as contas bancárias congeladas.