Para Lutero Simango, a revisão do "pacote eleitoral", a acontecer, terá de ser "a tempo e com uma reflexão profunda" de forma a que as eleições legislativas de outubro em Moçambique decorram de forma transparente.."O grande desafio é garantir que o STAE se liberte do controlo do governo central e, segundo, resolver a questão da impugnação prévia [sobre queixas dos partidos]", disse à agência Lusa, à margem de uma mesa redonda promovida pelo Instituto Real para as Relações Internacionais Chatham House, em Londres, intitulado "Eleições em Moçambique: Oportunidades e Desafios para a Oposição". .O líder parlamentar da terceira maior força política moçambicana entende que o STAE, responsável por garantir as condições técnicas e administrativas dos recenseamentos e processos eleitorais, deve deixar de estar subordinada ao Ministério da Administração Estatal e Função, passando a estar sob a direção da Comissão Nacional de Eleições (CNE). ."O STAE é quase um departamento estatal sob o controlo do Estado, está ligado politicamente ao Estado", justificou. .Por outro lado, defende a abolição da impugnação prévia, procedimento existente para os delegados dos partidos apresentarem junto das mesas de voto as suas reclamações sobre alegadas irregularidades no próprio dia das eleições. .O deputado do MDM diz que o partido tem-se confrontado com situações em que presidentes das mesas não aceitam protestos escritos que são exigidos depois pelos tribunais para darem seguimento a queixas formais. ."A solução da impugnação prévia, para nós, é que seja retirada e que os tribunais devem, de uma outra forma, tratar todas as queixas que forem colocadas sobre a falta de transparência e sobre a violação da lei em si. Os tribunais não podem condicionar, para julgar os actos ilícitos, alegando que não houve impugnação prévia", defendeu. .As eleições gerais moçambicanas estão marcadas para 15 de outubro de 2019 e, pela primeira vez, além da escolha do Presidente da República, deputados e membros das assembleias provinciais, vão eleger os governadores, que deixam de ser nomeados pelo poder central..A mudança faz parte dos acordos entre o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e Afonso Dhlakama, ex-líder do principal partido da oposição, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), no âmbito das negociações de paz de 2018..Formado em 2009 e assumindo-se como uma alternativa no sistema predominantemente bipartidário, dominado pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder, e pela Renamo, o MDM vê a presença no parlamento como essencial para continuar o papel de oposição. .O líder parlamentar do MDM admitiu que o partido vai lutar pela sobrevivência, depois de nas eleições autárquicas de 2018 apenas ter mantido um dos quatro municípios conquistados em 2013. ."Temos de aumentar, como fizemos no passado. Iniciámos com oito deputados, passámos para 17 deputados. O desafio é aumentar", admitiu Simango, em declarações à Lusa.