Matou a ex-mulher, os sogros, o enteado e já confessou o crime
Quatro pessoas foram mortas a tiro esta manhã, num café na Póvoa de Varzim, freguesia da Estela. Terão entre os 23 e os 70 anos.
Os quatro mortos são familiares do alegado atirador, um empresário de 42 anos. No local estava ainda um jovem de 16 anos que, inicialmente, se acreditava ter ficado ferido e que é filho do homicida. Diz a Rádio Onda Viva, da Póvoa de Varzim, que o adolescente ficou com ferimentos quando tentou desarmar o pai. O DN já confirmou que o jovem não sofreu mazelas físicas.
O suspeito pôs-se em fuga mas foi entretanto detido, à entrada da ponte internacional de Valença, quando "presumivelmente, tentava avançar para Espanha".
"Fruto da pressão causada pela perseguição policial, acabou por se envolver num acidente e foi detido pela GNR em Valença", afirmou a fonte da GNR do Porto. O homem entrou em despiste a cerca de dois quilómetros da entrada da ponte internacional de Valença. São ainda desconhecidos os motivos do despiste da viatura de marca Mercedes, com matrícula espanhola, que o suspeito conduzia. A GNR de Viana do Castelo adiantou que o homem estaria alcoolizado. Não ficou ferido no acidente.
No momento da detenção, assumiu a autoria do crime e não ofereceu resistência às autoridades. Tinha na sua posse duas armas de fogo, uma pistola 6.35 e um revólver .32.
VÍTIMAS ERAM FAMILIARES
Segundo a GNR do Porto, as quatro vítimas mortais serão todos familiares do presumível homicida: os ex-sogros, com cerca de 70 anos, a ex-mulher, com 40 a 50 anos, e o enteado, de 23 anos. O Mais Semanário cita testemunhas que garantem que o homem terá disparado mais de 20 tiros. A identidade e as fotografias, das vítimas foram reveladas no Facebook pela organização sem fins lucrativos Estela, Nossa Aldeia.
Fonte da Proteção Civil confirmou ao DN que os bombeiros receberam o alerta pelas 9.25 da manhã, tendo-se deslocado então para um café na Rua Comendador Araújo. Segundo testemunhos recolhidos pela Lusa no local, o café São Tomé será propriedade dos ex-sogros do alegado homicida, que já estaria separado da ex-mulher.
"À chegada ao local, as equipas médicas encontraram quatro pessoas já cadáveres. Foram baleadas", adiantou fonte do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
O INEM acionou para o local a Viatura Médica de Emergência Médica (VMER) do Hospital de Pedro Hispano, em Matosinhos, duas ambulâncias dos bombeiros e uma equipa de psicólogos.
QUEIXAS POR AMEAÇAS
Uma das vítimas do quádruplo homicídio ocorrido hoje na Estela, Póvoa de Varzim, o ex-sogro, "apresentou recentemente uma queixa por ameaças" contra o alegado autor do crime, disse fonte da GNR.
A informação foi adiantada no local pelo oficial de Relações Públicas do Comando Territorial da GNR do Porto, tenente-coronel Silva Ferreira, que esclareceu também que duas das vítimas terão sido mortas no interior do café, propriedade dos ex-sogros do suspeito.
As outras duas vítimas terão sido baleadas no interior da residência da família, que tinha ligação direta ao estabelecimento.
A mesma fonte disse à Lusa que os filhos do suspeito, entretanto detido, um rapaz de 16 anos e uma menina de 10, estão a ser acompanhados por uma equipa de psicólogos do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
O rapaz encontrava-se no café onde ocorreu o crime, que vitimou a mãe, os avós e um meio-irmão. Segundo testemunhos recolhidos pela Lusa no local, o jovem terá fugido do café para pedir socorro aos vizinhos. A menina de 10 anos estava na escola. Ao que o DN conseguiu apurar, o atiradortentou ir buscá-la após os homicídios, mas foi impedido pela GNR, que entretanto montara uma operação de segurança no local.
PARTILHAS NA ORIGEM DO CRIME
O detido e a ex-mulher estavam separados há cerca de dois anos. Um amigo do suspeito relatou à Lusa que o motivo do crime poderá estar relacionado com a partilha dos bens do casal. De acordo com este testemunho, os bens seriam uma casa e um terreno contíguo, com pavilhões industriais para arrendar. Sabe o DN que o homicida e as vítimas tinham um diferendo em tribunal. O atirador já teria várias vezes ameaçado a família da ex-companheira, prometendo assassiná-los se não vencesse na justiça.

