Timor, 1991. Milhares de pessoas, principalmente jovens, acompanhavam o funeral de um rapaz, que pertencia à resistência. Seguiam para o cemitério de Santa Cruz, em Díli. Lamentavam esta morte e a ocupação da ex-colónia portuguesa pela Indonésia, quando militares indonésios invadiram o cemitério e começaram a disparar sobre os manifestantes. Morreram mais de 300 pessoas..As imagens passaram nas televisões em todo o mundo e Timor foi colocado nas agendas diplomáticas. "O massacre de mais de uma centena de timorenses - segundo as últimas informações - junto a um cemitério em Díli levou já as autoridades indonésias a experimentar uma clara sensação de isolamento na cena internacional, bem expressa nas posições assumidas pelos EUA e pela Holanda", lia-se na primeira página do DiáriodeNotícias de 13 de novembro de 1991..Este foi um entre muitos massacres que aconteceram em Timor, onde um terço da população morreu durante os anos em que a Indonésia ocupou o país. Mas até então nenhum tinha sido filmado, como aconteceu a 12 de novembro, quando o jornalista britânico Max Stahl conseguiu captar imagens da violência e difundi-las no estrangeiro..A pressão internacional que se viria a suceder obrigou a Indonésia a fazer um referendo sobre a independência do país, onde os cidadãos manifestaram a sua vontade de se libertarem do colonizador. Mas só em 2002 Timor declararia a independência.