A deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua desdobrou-se ontem, em quatro tweets, para explicar o sentido das suas palavras sobre "perder a vergonha" em "ir buscar dinheiro a quem está a acumular dinheiro", para justificar então o novo imposto sobre imóveis de luxo..Nas mensagens curtas que publicou na rede social Twitter, Mariana usou a figura do banqueiro e do bancário para melhor tentar passar a sua mensagem. "Poupança ou riqueza acumulada? Ricardo Salgado - riqueza acumulada. Trabalhador de banco - poupança. Diferença? O segundo já paga muitos impostos e o primeiro não.".[twitter:777805392969658368].[twitter:777806532947898369].Para a deputada do BE - que abriu esta polémica na sua intervenção na conferência socialista 2016, no sábado, em Coimbra - "taxar riqueza acumulada é conseguir taxar riqueza que de outra forma tem fugido para aumentar pensões, rendimento social de inserção, complemento social de inserção e abono aos mais pobres" e é "taxar a riqueza que permite que o número de milionários aumente e com isso acabar com a sobretaxa do IRS da classe média"..Estas explicações remetem, segundo Mariana Mortágua, para a conclusão de que "taxar riqueza acumulada não é taxar poupança". Mas, à esquerda, ainda não há certezas sobre o patamar inferior sobre o qual poderá ser taxado o património. Na semana passada, o BE apontou para um valor de 500 mil euros, mas logo na altura o PS disse que não havia um "desenho final" para esta medida. Mais: o valor apontado pode variar entre o meio milhão e o milhão de euros..[destaque:Costa ainda não falou sobre este eventual imposto para imóveis de luxo].Também a coordenadora do BE, Catarina Martins, evitou comprometer-se com o valor final, antecipando a necessidade de proteger "as pessoas que não são milionárias", com habitação própria ou de férias. E explicou-se, citada pela Lusa: "Dentro deste critério, de proteger todas as pessoas que não são milionárias mas que têm uma segunda casa, que herdaram, etc., mas também com o critério de que deve servir para alguma coisa e não para toda a gente continuar a fugir, é que se irá debater os montantes.".A líder bloquista não deixou, ainda assim, de apontar às vozes críticas, sobretudo da direita, que se tem feito ouvir. "Fico chocada quando vejo pessoas como [o presidente da Câmara do Porto] Rui Moreira acharem que é um saque tributar-se muito ligeiramente o património de luxo quando estiveram calados quando o IRS aumentou brutalmente e com isso baixou brutalmente os salários e as pensões das pessoas.".Marcelo deixa aviso.Quem também estará preocupado com este novo imposto é o Presidente da República, segundo noticiou o Expresso Diário. Em declarações ao jornal, Marcelo Rebelo de Sousa apontou "um erro" ao querer inscrever-se no Orçamento do Estado para 2017 medidas que serão "aparentemente sedutoras para o rigor ou emblemáticas para preocupação social" mas que podem "afugentar investimento". O Presidente, antes de partir para os EUA (ver pág. 2), avisou que fazer este Orçamento "é um exercício difícil", que obriga a "ponderação, serenidade e muito bom senso"..Com as negociações entre PS, BE, PCP e PEV em andamento, também os comunistas já tinham deixado um alerta no domingo. No final de uma reunião do Comité Central, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu "um sentido de limite". "Existem mecanismos refinados de evasão fiscal e o Estado tem de se proteger e possuir capacidade de resposta em situações especiais. Mas as famílias têm de ter o direito à privacidade, privacidade em relação à sua vida e ao dinheiro que cada um ganhou a trabalhar. É preciso um equilíbrio", apontou Jerónimo de Sousa..António Costa ainda não comentou este eventual novo imposto.