Mariana explica diferenças entre banqueiro e bancário

Mortágua distinguiu riqueza acumulada e poupança. Já a líder do BE evitou definir montantes. É preciso proteger pessoas, disse
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A deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua desdobrou-se ontem, em quatro tweets, para explicar o sentido das suas palavras sobre "perder a vergonha" em "ir buscar dinheiro a quem está a acumular dinheiro", para justificar então o novo imposto sobre imóveis de luxo.

Nas mensagens curtas que publicou na rede social Twitter, Mariana usou a figura do banqueiro e do bancário para melhor tentar passar a sua mensagem. "Poupança ou riqueza acumulada? Ricardo Salgado - riqueza acumulada. Trabalhador de banco - poupança. Diferença? O segundo já paga muitos impostos e o primeiro não."

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Para a deputada do BE - que abriu esta polémica na sua intervenção na conferência socialista 2016, no sábado, em Coimbra - "taxar riqueza acumulada é conseguir taxar riqueza que de outra forma tem fugido para aumentar pensões, rendimento social de inserção, complemento social de inserção e abono aos mais pobres" e é "taxar a riqueza que permite que o número de milionários aumente e com isso acabar com a sobretaxa do IRS da classe média".

Estas explicações remetem, segundo Mariana Mortágua, para a conclusão de que "taxar riqueza acumulada não é taxar poupança". Mas, à esquerda, ainda não há certezas sobre o patamar inferior sobre o qual poderá ser taxado o património. Na semana passada, o BE apontou para um valor de 500 mil euros, mas logo na altura o PS disse que não havia um "desenho final" para esta medida. Mais: o valor apontado pode variar entre o meio milhão e o milhão de euros.

[destaque:Costa ainda não falou sobre este eventual imposto para imóveis de luxo]

Também a coordenadora do BE, Catarina Martins, evitou comprometer-se com o valor final, antecipando a necessidade de proteger "as pessoas que não são milionárias", com habitação própria ou de férias. E explicou-se, citada pela Lusa: "Dentro deste critério, de proteger todas as pessoas que não são milionárias mas que têm uma segunda casa, que herdaram, etc., mas também com o critério de que deve servir para alguma coisa e não para toda a gente continuar a fugir, é que se irá debater os montantes."

A líder bloquista não deixou, ainda assim, de apontar às vozes críticas, sobretudo da direita, que se tem feito ouvir. "Fico chocada quando vejo pessoas como [o presidente da Câmara do Porto] Rui Moreira acharem que é um saque tributar-se muito ligeiramente o património de luxo quando estiveram calados quando o IRS aumentou brutalmente e com isso baixou brutalmente os salários e as pensões das pessoas."

Marcelo deixa aviso

Quem também estará preocupado com este novo imposto é o Presidente da República, segundo noticiou o Expresso Diário. Em declarações ao jornal, Marcelo Rebelo de Sousa apontou "um erro" ao querer inscrever-se no Orçamento do Estado para 2017 medidas que serão "aparentemente sedutoras para o rigor ou emblemáticas para preocupação social" mas que podem "afugentar investimento". O Presidente, antes de partir para os EUA (ver pág. 2), avisou que fazer este Orçamento "é um exercício difícil", que obriga a "ponderação, serenidade e muito bom senso".

Com as negociações entre PS, BE, PCP e PEV em andamento, também os comunistas já tinham deixado um alerta no domingo. No final de uma reunião do Comité Central, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu "um sentido de limite". "Existem mecanismos refinados de evasão fiscal e o Estado tem de se proteger e possuir capacidade de resposta em situações especiais. Mas as famílias têm de ter o direito à privacidade, privacidade em relação à sua vida e ao dinheiro que cada um ganhou a trabalhar. É preciso um equilíbrio", apontou Jerónimo de Sousa.

António Costa ainda não comentou este eventual novo imposto.

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