Marcelo: "Ninguém pensou deixar de aplicar lei que era desfavorável a Isabel dos Santos"

Presidente da República diz que António Costa sempre esteve de acordo com aplicar lei, apesar dos riscos diplomáticos.
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Marcelo Rebelo de Sousa defendeu António Costa das acusações do antigo governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, que no livro "Governador" diz o primeiro-ministro de tentar proteger a empresária angolana Isabel dos Santos, que tinha presença capital de instituições bancárias em Portugal, como o BPI e o BIC.

"Só vou falar do processo do BPI, que se passou já quando eu estava como Presidente da República. Antes de começar o mandato, recebi o primeiro-ministro no Palácio de Queluz, que me disse que o BCE tem uma posição muito clara sobre o futuro do BPI, para desblindar os estatutos, que favoreciam Isabel dos Santos. Disse-me que se o diploma não fosse aprovado por Cavaco Silva, que estava em final de mandato, ia sobrar para mim. Disse-lhe que se ele não promulgasse, que eu iria deliberar sobre isso assim que tomasse posse. Mas Cavaco Silva não se quis pronunciar sobre a matéria, o que compreendo, pois estava em final de mandato. A decisão era sermos desfavoráveis a Isabel dos Santos e promulguei o diploma um mês depois de tomar posse e tive a noção de que ia ser umas das decisões mais complicadas do meu mandato, e assim foi. Isto gerou uma reação muito negativa por parte de Isabel dos Santos e complicou as relações entre Estados, que estavam maus e passaram a péssimas. Assim foi até ao final de mandato de José Eduardo dos Santos", começou por explicar o Presidente da República.

"Perante a posição do BCE, Isabel dos Santos rompeu o acordo e partiu para Angola. Estávamos de acordo sobre o que era preciso fazer, que era o que o BCE mandava. Eu, o primeiro-ministro, o Governo e o governador do Banco de Portugal estávamos de acordo. Isso teve custos na relação com o Executivo de Luanda", prosseguiu o chefe de Estado, que garantiu que em momento algum qualquer "dos intervenientes jamais pensou deixar de aplicar a lei que era desfavorável a Isabel dos Santos".

"Neste banco ou noutros bancos não era normal um Presidente da República acompanhar ou intervir como eu intervim. Olhando friamente para os acontecimentos, foi uma história que correu bem e sacrificou os interesses de uma particular e acatou interesses diplomáticos", recordou.

Marcelo Rebelo de Sousa falou ainda sobre a guerra na Ucrânia e a explosão desta terça-feira na Polónia. "Se foi um erro ou um desvio de defesa ucraniano, ainda não há certezas, mas isto só acontece porque há uma guerra que não devia existir", frisou.

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