O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, negou hoje estar cansado de ocupar o cargo e considerou que neste momento "seria mau" uma interrupção ou um encurtamento do mandato, dado o contexto que o país atravessa.."Não, não estou cansado da Presidência e, pelo contrário, é mais necessário mais Presidente num momento de mais crise, como é evidente", defendeu Marcelo Rebelo de Sousa em declarações aos jornalistas durante uma visita à Feira de Solidariedade Rastrillo, em Lisboa..O chefe de Estado referiu que chegou na sexta-feira do Qatar e que tem tido "tantos compromissos, tantos compromissos, a maior parte deles sociais", mas referiu que não se cansa.."Eu nunca me canso, eu sou criticado muitas vezes de nunca me cansar e outras vezes de me cansar", afirmou..Questionado sobre a proposta do PSD no âmbito da revisão constitucional para que o Presidente da República tenha um mandato único de sete anos (em vez da possibilidade de dois mandatos de cinco), Marcelo assinalou que essa alteração já foi defendida por si.."Eu não me meto na matéria da revisão constitucional, é uma matéria em que o Presidente da República não tem poderes nenhuns e eu, por exemplo, no passado defendi, quando não era Presidente da República, e mesmo no início, quando me candidatei, que a solução melhor seria um mandato único de sete anos", apontou.."No entanto, devo reconhecer que neste momento, com a guerra e com a crise, seria mau haver uma interrupção de mandato, um encurtamento de mandato, precisamente porque é preciso é haver quem enfrente a crise e quem garanta, intervindo. E o Presidente deve intervir para garantir, por um lado, que a maioria absoluta cumpre o que deve cumprir - para isso é que ela existe -- e, por outro lado, para garantir que haja uma oposição que possa ser alternativa, como é desejável que haja alternativas no futuro", defendeu o chefe de Estado..Marcelo Rebelo de Sousa apontou também que está a ser mais exigente no segundo mandato.."Estou a ser. Já mandei um diploma para o Tribunal Constitucional, posso mandar outros", avisou..O Presidente da República defendeu que o próximo ano vai ser "o primeiro grande teste" do Governo e alertou que "como for 2023, assim dependerá o resto da legislatura". Disse ainda que vai estar "muito atento àquilo que vai ser este ano de 2023".."É evidente que 2022 foi muito marcado por ter havido eleições há seis meses ou sete meses. Agora, 2023 é um teste, é o primeiro grande teste antes das eleições europeias de 2024 e esses anos são fundamentais para se testar como é que enfrentamos a crise e como é que há condições políticas para levar por diante aquilo que os portugueses querem, que é ultrapassar essa crise", defendeu.