Marcelo avisa Cavaco: não quer ser ele a resolver problema da governabilidade

Candidato não refere o nome do atual Presidente mas diz que tudo fará "para não onerar" o seu sucessor. E sinaliza, assim, estar contra um governo de gestão
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Marcelo Rebelo de Sousa ensaiou este sábado um discurso de demarcação de Cavaco Silva, com vários recados ao atual Presidente da República devido ao impasse que se avizinha para a formação de governo. No emblemático salão nobre d'A Voz do Operário, em Lisboa, o candidato a Belém fez uma longa análise ao papel e aos poderes do Chefe do Estado e, falando daquela que poderá ser a sua atuação, avisou com contundência: "No que depender de mim tudo farei para tentar não onerar o meu sucessor com problemas evitáveis relativamente ao exercício destes poderes do Estado."

Na reta final de um discurso conciliador, de apelo aos consensos e às pontes entre partidos e também parceiros sociais, Marcelo sinalizou opor-se a um governo que fique em gestão até à possibilidade de o próximo Presidente convocar eleições - algo que só poderá acontecer em abril - e definiu outros dois pilares da sua ação caso venha a suceder a Cavaco. Isto, é claro, com o atual cenário de instabilidade na cabeça.

"Não há nomeação, exoneração [do primeiro-ministro] ou dissolução [da Assembleia da República] anunciadas", afirmou, explicando que qualquer uma dessas prerrogativas que a Constituição atribui ao Presidente será utilizada "no momento exato que se coloca a necessidade desse exercício". "Não é no mês antes", advertiu.

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Por outro lado, e num novo afastamento em relação ao atual inquilino de Belém, defendeu que qualquer pedido de fiscalização de diplomas governamentais ou parlamentares derivará de "sempre de dúvidas de constitucionalidade", sublinhando que "o veto político não deve ser fundamentado em razões de constitucionalidade, mas políticas".

Num discurso que durou perto de uma hora, o candidato falou insistentemente em convergências e observou que a tão referido magistério de influência tem de ser exercido antes dos atos eleitorais. Para minimizar "tensões" e "crispações" como atualmente se verificam. E, a esse propósito, recordou as diligências tomadas, noutras alturas, por Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio.

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