Mão pesada do juiz para gangue das cobranças difíceis

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Mão pesada a do juiz que ontem condenou a penas efectivas entre cinco e 20 anos de prisão seis dos 12 arguidos que formavam um gangue que efectuava cobranças difíceis na zona do Grande Porto. O tribunal considerou provados os crimes de rapto, furto e falsificação de documentos, receptação, coacção agravada, coacção simples, posse de arma proibida e homicídio qualificado.

António Filipe Santos, Ricardo Riboira, Paulo Jorge Silva e Ricardo Soares foram os mais penalizados no acórdão lido pelo juiz presidente do colectivo da quarta vara do Tribunal de S. João Novo, William Themudo, porque eram os elementos do grupo que respondiam pelo homicídio de Tiago Ferreira, de 23 anos, que fizera parte do grupo, mas acabou assassinado e lançado a um poço.

O grupo foi formado por António Filipe Santos e o objectivo era realizar cobranças em nome de terceiros, recebendo parte do dinheiro que conseguiam reaver. Assim, visitavam empresas e estabelecimentos comerciais onde sob ameaça verbal e de agressão física, conseguiam obter cheques que eram depois depositados em contas abertas para o efeito. Várias pessoas foram ameaçadas com arma de fogo e o tribunal considerou válida a acusação de rapto. Apenas o crime de extorsão não ficou provado, optando o colectivo por condenar os arguidos pelo crime de coacção. Uma das vítimas do gangue foi o advogado do FC Porto João Castro Neves, que se viu obrigado a pedir protecção à Polícia Judiciária após ter sido avisado de que o grupo tinha a intenção de o sequestrar. Pior sorte teve o empresário Joaquim Salgado, que viu a mulher e o filho serem sequestrados pelo grupo que lhe exigiu uma dívida de 50 mil euros. Pagou a prestações e deu o seu BMW como garantia.

Quem recorresse ao grupo para cobrar dívidas obtinha bons resultados, pois na generalidade dos casos o dinheiro era conseguido, embora à força de métodos ilegais. Tudo parecia correr bem até que um dos elementos do grupo "roeu a corda". Tinha uma série de cheques oriundos das cobranças que não foram depositados e deixou de participar na actividade do grupo. De acordo com os restantes arguidos preparava-se para fugir para França. Foi então que o grupo resolveu "apagar" aquele elemento. Em Janeiro de 2007, Andreia Fernandes (do gangue faziam parte duas mulheres) telefonou a Tiago para resolverem a situação.

O jovem foi levado para Valongo, onde, num local ermo, os quatro principais arguidos o esperavam. Foi espancado até à morte com sacholas e lançado sem vida para um poço. O facto de terem ficado com o telemóvel da vítima colocou a PJ no seu encalço que em pouco tempo descobriu a actividade ilícita dos arguidos. Os quatro principais arguidos foram condenados às penas de 15 anos e seis meses de prisão, 17 anos e seis meses, e vinte anos. Andreia vai cumprir oito anos de prisão e Joel Ferreira cinco anos e seis meses. Quatro elementos do gangue tiveram penas suspensas e dois foram absolvidos.

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