Comportamento. O homem ideal está cada vez mais longe da figura do macho lusitano. Para corrigir vícios e maus hábitos do sexo masculino, Paula Bobone volta à escrita de auto-ajuda e explica qual é o caminho do sucesso.Guia de boas maneiras dá a versão feminina do sucesso masculino.Dizia Oscar Wilde que um nó de gravata bem dado é o primeiro passo sério na vida de um homem. E se hoje muitos já dispensam este acessório como sinal da sua sobriedade e distinção, também é verdade que a evolução dos tempos não desculpa o desmazelo nem a falta de boas maneiras. .Observadora sempre atenta da realidade social, Paula Bobone decidiu lançar-se na escrita do livro que faltava: o Manual de Instruções para Homens de Sucesso. Sem querer dar lições, com o objectivo de atenuar as "inseguranças tremendas" dos homens de hoje e "repor a ordem na informação que circula", a já reconhecida autora de best-sellers na área da etiqueta e do social compilou num guia tudo o que a população masculina precisa de saber para triunfar dentro e fora de casa. Porque o homem de sucesso "não é o mais rico ou aquele que mais se evidencia na sua área profissional", garante Paula Bobone, mas a "pessoa amável, de charme, civilizada, que no conjunto com os outros consegue passar uma imagem melhor". .Partindo desta premissa, começou pelas regras básicas da etiqueta, que lhe está rotulada como especialidade, e estendeu--se a todas as situações que continuam a levantar dúvidas de atitude e comportamento, desde a convivência profissional às lides domésticas. Deitou mãos à obra de Freud, defensor da tese de que todos conjugam um lado feminino e masculino, e entregou-se à tarefa de explicar que o homem pode ter um papel activo em sociedade e na família, sem prescindir da sua virilidade. A evitar é sobretudo o culto do macho lusitano arrogante e empedernido, e mesmo o tradicional marialva português, que se ocupa com "a mulher, fado e cavalos", é um vestígio geracional que subsiste apenas em alguns redutos, uma "espécie em vias de extinção"..Não tem problemas em assumir na escrita uma perspectiva feminina, porque afinal "são as mulheres as formadoras da mentalidade dos homens, na educação que lhes dão como mães". Foi o crescente protagonismo social da mulher que levou ao aparecimento de um novo homem: com a independência cada vez maior da mãe, mulher ou namorada, alteram-se vícios, hábitos e maneiras de estar. Segundo a autora, a masculinidade é hoje um labirinto, há cada vez mais tipos de homens (os gourmets, estetas, tradicionais ou celibatários, para citar alguns) e é preciso dar-lhes "uma bóia de salvação" que os impeça de andar à deriva. .O próprio livro foi resultado de um exercício de observação, que começou em casa com o marido, Vasco Bobone, mas se alargou à sua convivência com o sexo oposto: "Há homens que falam comigo e ficam intimidados, nervosos, julgam que sou um juiz avaliador", confessa divertida. Mas recomendaria o seu guia "a muita gente, desde a área da política até aos grandes comunicadores. E também ao jetset português, em peso"..E num manual de boas maneiras para o sexo masculino, mesmo no século XXI, não podia faltar o capítulo dedicado às regras do cavalheirismo. Paula Bobone garante que, a seguir à igualdade, o que as mulheres modernas mais apreciam é ser tratadas com respeito e alguma deferência. Contra-senso? "É, por isso é que tem tanta graça" responde sem hesitar..Já tem na calha outros projectos: nove anos depois de se ter iniciado na escrita, a actividade de que mais gosta na vida, quer debruçar-se sobre a educação das crianças e não põe de parte um futuro "manual de instruções para miúdas giras". Até lá, aconselha às mulheres a leitura do guia masculino, que também lhes poderá ser útil, e deixa aos homens o aviso, numa nota prévia à leitura: "As vantagens de seguir estas sugestões e obter os benefícios do seu uso não serão pura coincidência." É pôr em prática para comprovar.