Mandelson nega favores a multimilionário russo

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Reino Unido. Ligações perigosas entre políticos e empresários

O escândalo que liga políticos britânicos a oligarcas russos tem um episódio novo quase todos os dias: ontem foi a vez de o ministro do Comércio, Peter Mandelson, vir desmentir que, enquanto comissário europeu, favoreceu os negócios do multimilionário russo Oleg Deripaska, dono da maior empresa metalúrgica do mundo e proprietário do iate a bordo do qual o político trabalhista passou férias na ilha de Corfu em Agosto.

"Várias coisas têm sido ditas sobre a relação que tenho com um homem de negócios russo. Tudo o que quero dizer é que ele nunca me pediu favores e eu nunca lhe fiz favores. E foi isto que a Comissão Europeia estabeleceu no seu inquérito", afirmou Mandelson à Sky News, pouco antes de partir para Moscovo, onde vai estar de visita durante quatro dias, acompanhado por um grupo de empresários britânicos.

A reacção de Mandelson surgiu depois de o jornal Independent ter escrito na sua edição de domingo que, antes de abandonar a Comissão, ele anunciou uma nova estratégia europeia que concedia às empresas multinacionais um acesso mais fácil e livre às matérias-primas, incluindo as usadas na produção do metal. Até então a controvérsia que o ligava ao oligarca russo tinha que ver com o facto de o ex-comissário ter assinado, em Dezembro de 2005, uma decisão que removia as medidas antidumping contra a Rusal. O próprio ministro britânico admitiu ter-se encontrado já outras vezes com o oligarca russo em 2004 e em 2006.

A Comissão também o defende. "Após um inquérito aprofundado e a consulta com os Estados membros, o Conselho [Europeu] concluiu em Janeiro de 2006 que o dumping não existia", declarou, à AFP, o director--geral do Comércio da Comissão. David O'Sullivan garantiu que "não houve ingerência política da parte de Peter Mandelson".

Antes de o ex-comissário entrar no Governo, em Setembro, a oposição conservadora exigiu que esclarecesse a sua ligação a Deripaska. Mas o feitiço virou-se contra o feiticeiro: descobriu-se que o ministro-sombra das Finanças, o conservador George Osborne, também se encontrou com o multimilionário russo em Corfu. Alegadamente para trocar um encontro com o líder dos conservadores, David Cameron, por um donativo de 50 mil libras. |

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