A percentagem de classificações negativas (D e E) aumentou ligeiramente, tanto a Matemática como a Português, nas provas de aferição do 4.º e 6.º anos, feitas por cerca de 230 mil alunos..O Ministério da Educação apresentou ontem os dados anunciando "a estabilização dos resultados de anos anteriores". E destacando entre as "pequenas variações" face a 2009 uma " ligeira melhoria de desempenho dos alunos do 1.º ciclo". Mas a análise das tabelas divulgadas na sua página de Internet contraria esta interpretação dos números..No 1.º ciclo aumenta, de facto, o número de alunos que conseguem atingir a cotação de "A", a mais elevada. Essa menção passa de 7% para 11,3% no Português e de 16% para 18% na Matemática..Mas, em ambos os casos, esse facto não chega para falar em "melhoria de desempenho", já que há mais negativas a ambas as disciplinas. Ou seja: aumenta o número de alunos com dificuldades..Na Matemática, as notas, "D" e "E", passam a somar, juntas, 11,1%, contra 11,5% de 2009. No Português, totalizam 8,4% contra os 8% de 2009. Uma diferença ditada pelos 0,4% das notas "E" que, em 2009, nenhum aluno tivera..No 2.º ciclo, o cenário não é muito diferente. Na Matemática, os "A" crescem de 7% para 8,5%, mas as negativas passam a totalizar 23% (21,7% de "D" e 1,3% de "E"), o que representa um aumento de três pontos percentuais em relação a 2009..No Português, nem os "A" servem de consolo, caindo para a metade dos 8% para os 4%. Já as negativas crescem de 11% para 11,6%..Na comparação com as provas realizadas em 2008, os resultados de 2010 são francamente piores: as negativas a Português no 2.ºciclo, que totalizavam 6,5% há dois anos, mais do que duplicam para os 11,6%. Na Matemática do mesmo ciclo, passou-se de 18,3% de negativas para os 23%..Numa informação divulgada na sua página da Internet, o ministério sustenta que a série de três anos em análise "corresponde, em educação, a um período temporal muito limitado", defendendo que não se deve "ignorar esta realidade" ao extrair conclusões..O certo é que o período em causa corresponde a uma fase em que supostamente estas provas - que não contam para a avaliação dos alunos - viram acrescida a sua importância, nomeadamente para efeitos de identificação de debilidades e planificação nas escolas. .Recorde-se que, em 2007, a anterior ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, decidiu voltar a tornar universais estes testes que, desde 2002, eram feitos apenas por uma amostra de estudantes.