Mais estrangeiros no roubo de carros com violência

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Há novos grupos a praticar roubos de carros com violência, sobretudo na área da Grande Lisboa. De acordo com informação da Polícia de Segurança Pública (PSP), o ano de 2006 está a ser marcado pela actuação de indivíduos de nacionalidade brasileira e já com antecedentes criminais. Esta mudança no perfil dos agressores do carjacking começou a ser registada pela PSP durante os meses de Verão, nomeadamente Julho e Agosto, altura em que o número de casos disparou na capital e nos concelhos limítrofes. Fonte daquela força policial acredita que tais elementos entraram em Portugal para a prática do crime. O Departamento de Investigação Criminal está a analisar a situação.

A Polícia Judiciária, a quem compete a investigação de crimes com armas de fogo, que é o caso, admite que esse novo cenário possa existir, mas confessa ainda não dispor de "informação que o comprove". O inspector-chefe Olegário Sousa explicou ao DN ter na sua posse apenas dados do primeiro trimestre de 2006 em que tal não é perceptível. "O carjacking designa um modus operandi, roubo de carros com violência, e até à data não se notou qualquer mudança na actuação ou no perfil dos agressores. A maioria dos roubos é com arma de fogo e praticada por jovens entre os 18 e os 22 anos, embora já apareçam alguns com 16 e 17 anos. Há elementos de nacionalidade portuguesa, alguns de ascendência africana, do Leste e brasileiros. Por norma, são grupos muito voláteis, que integram entre dois e quatro indivíduos e que actuam de forma desorganizada", explicou ao DN.

Aliás, os dados da PJ do primeiro trimestre revelam que o fenómeno carjacking não aumentou relativamente ao mesmo período de 2005. No final do ano passado, entraram na Judiciária 330 casos. Até Março de 2006, dos 830 crimes de roubo investigados apenas 63 respeitavam a carjacking, a maioria em Lisboa e Porto. As detenções mais recentes ocorreram há 15 dias: sete indivíduos, de ascendência africana, alguns de nacionalidade portuguesa, com idades entre os 16 e os 20 anos, que actuavam em grupo, na área da Grande Lisboa, e que ficaram conhecidos como o "gang dos carros".

Grande Lisboa lidera casos

Quanto à estatística da PSP, este crime regista uma diminuição de 14% relativamente ao mesmo período de 2005, ano em que até Outubro se registaram 229 casos. Uma tendência que tanto PJ como PSP justificam com o facto de terem sido detidos vários grupos ligados a esta prática de crime no ano passado e no início de 2006. A única mudança no perfil traçado pelas polícias diz respeito ao facto de haver maior número de indivíduos de nacionalidade brasileira a cometer o crime. "São rápidos a actuar, uns profissionais", contaram ao DN. E actuam principalmente na Grande Lisboa, que lidera o número de casos. Até 19 de Outubro, registaram-se 196 situações, 184 consumadas e 12 na forma tentada. Destas, 51% ocorreram na Grande Lisboa, com a capital a registar 38%, seguida da Amadora com 31%. Os mesmos dados indicam que a Grande Lisboa e a península de Setúbal reúnem juntas 58% dos roubos por carjacking, a primeira 51% e a segunda 7%. A cidade de Setúbal registou nove casos, Costa de Caparica três, Barreiro e Cruz de Pau dois cada um.

Benfica é problemático

Em Lisboa, Benfica, Alcântara e Ajuda foram as áreas mais problemáticas de 2006, embora o fenómeno também se tenha estendido às zonas de animação nocturna- Avenida 24 de Julho e Parque das Nações. No concelho da Amadora, as zonas mais atingidas foram Cova da Moura, Mina e Buraca. A nível nacional o Grande Porto aparece em segundo lugar com 27% dos casos, a maioria ocorridos na Cidade Invicta, na área da Boavista, e em Vila Nova de Gaia. Braga surge em terceiro lugar, à frente de Setúbal, com 8%.

Do total nacional da PSP, mais de 54% das situações foram realizadas com arma de fogo e 27% com coacção e agressão física. Os agressores tinham sobretudo entre 25 e 44 anos, um dado diferente do perfil traçado pela PJ, cujos processos investigados indicam jovens dos 16 aos 22 anos.

Porém, há elementos comuns no modus operandi traçado pelas polícias: vítimas homens, com mais de 40 anos, que se encontravam sozinhos, na via pública, junto às residências ou em parques de estacionamento. Alguns dos roubos envolveram sequestro. Em 2006, a PSP registou três sequestros. Trata-se de um crime nocturno, mais de 80% ocorrem entre as 19.00 e as 07.00. Quanto aos dias de semana, a sexta-feira tem sido o preferido. No entanto, em Lisboa os dados da PSP revelam que o domingo é o mais concorrido.

Até agora, os carros roubados por carjacking têm servido para a prática de outros crimes, embora também possam entrar no mercado de tráfico. Neste último caso, as viaturas de topo de gama são as mais visadas, "há algumas que nunca são recuperadas, outras aparecem noutros países", esclareceu Olegário Sousa. Mas este crime atinge também viaturas de baixa e média cilindrada.

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