Mafias da noite lutam pelo poder em Lisboa

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Há uma guerra pelo poder nos negócios da noite em Lisboa. Quem o admite são fontes policiais que ontem manifestaram preocupação ao DN : "Voltaram a actuar como há 20 anos. Se isto continua assim, caminharemos para uma realidade gravíssima."

As mesmas fontes argumentam que "os homens da noite vivem em tensão permanente pelo poder. Quem está, está. Quem se fragiliza, perde o lugar", explicaram-nos, exemplificando com o caso Passerelle, um dos mais graves julgados em Portugal relacionados com associação criminosa e lenocínio. "O grupo Passerelle ficou fragilizado e há outros a tomarem já o seu lugar".

As autoridades policiais estão atentas às movimentações das mafias da noite. No início de Novembro, a Divisão de Investigação Criminal da PSP de Lisboa lançou a "Operação Polvo" e deteve 11 empresários, mas só quatro ficaram em prisão preventiva, um deles em domiciliária. Um dos detidos foi Alfredo Morais, o segundo arguido no caso Passerelle, acusado de mais de 150 crimes, o mais grave por associação criminosa.

Morais é conhecido como um dos "patrões" da noite lisboeta, foi agente das forças especiais da PSP e, há uns anos, chegou a ser acusado pelo homicídio de um homem, nas imediações da discoteca Passerelle, mas acabou por ser ilibado por falta de provas e por ausência de testemunhas no processo.

No rescaldo da "Operação Polvo" o ex-polícia ficou sujeito a apresentações periódicas semanais na esquadra, não podendo abandonar o País sem autorização do Tribunal.

As notícias recentes de espancamentos de pessoas em bares e discoteca de Lisboa já levaram o Ministério Público a constituir uma equipa para investigar estes crimes. As polícias suspeitam de que, por trás destes casos de grande violência, estejam tentativas de controlo da gestão dos estabelecimentos e do tráfico de mulheres.

A verdade, dizem, "é que a noite nunca esteve tão tensa como agora". As quatro mortes no Porto durante este ano, ainda sem suspeitos e sem detidos, "são um reflexo de como as mafias estão a actuar. A família de uma das vítimas do proprietário da discoteca Chic, Aurélio Palha, morto a 27 de Agosto, recusam falar e dizerem o que sabem", afirmaram.

A actuação da polícia está também a ser dificultada pelo código de silêncio que impera nestes meios. Poucos são os que aceitam colaborar com os investigadores e os espancamentos e homicídios servem de aviso à navegação. "Era de estranhar que estes casos mais violentos ainda não tivessem chegado a Lisboa", esclareceu a mesma fonte, lembrando que, "neste negócio, os distribuidores das mulheres trabalham nos bares de todo o País. Sentem-se acossados com a acção policial e agora encetaram uma guerra pelo controlo dos próprios estabelecimentos de diversão nocturna." Mas, concluiu, "se os 'donos' da noite começam a resolver os seus litígios desta forma, as autoridades vão ter de rever os meios de combate e de investigação ao crime organizado".|

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