Máfia de jogo ilegal vinha para Portugal

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Deputados em Portugal já estava a ser contactados

A mafia do jogo ilegal que está a ser investigada pelas autoridades brasileiras, e que envolve dois empresários portugueses já detidos, tinha planos para se instalar em Portugal e em Macau. A informação foi avançada ontem pela imprensa brasileira, que garante que aquela rede criminosa teria já, inclusivamente, iniciado contactos com deputados portugueses para facilitar a sua entrada no mercado nacional, sem no entanto avançar quaisquer nomes.

De acordo com o jornal O Dia - o terceiro de maior tiragem do Rio de Janeiro -, a rede de jogo ilegal, não contente com os altos lucros que obtinha no Brasil com o jogo do bicho, bingo e máquinas caça-níqueis instaladas dentro e fora das casas de bingo, visava os mercados de Portugal e da região de Macau.

Segundo o diário brasileiro, estavam até já a ser mantidos contactos com deputados portugueses. Na Operação Furacão da Polícia Federal brasileira, foram presas 25 pessoas, entre os quais dois empresários portugueses, chefes do jogo no Brasil, advogados, membros da polícia federal, do ministério público e até um juiz e dois desembargadores. Os membros da organização criminosa exploravam jogo ilegal e pagavam a juízes e polícias para contarem com apoio da repressão e da lei.

"Os chefes do jogo do bicho do Rio estavam de olho num mercado que movimentou, só no ano passado, pelo menos 7,2 mil milhões de dólares [cerca de 5,3 milhões de euros]. Escutas telefónicas feitas pela Polícia Federal na Operação Furacão revelam que membros da quadrilha dos contraventores pretendiam investir em casinos em Macau. A ilha, pertencente à China, transformou-se no principal paraíso do jogo no mundo, superando até mesmo Las Vegas. A investigação indica ainda que os bicheiros também miravam Portugal", escreve o jornal.

A entrada da máfia em território português seria facilitada pela participação no esquema dos portugueses Licínio Soares Bastos e Laurentino dos Santos - que apesar do apelido diferente, serão irmãos. Segundo o diário carioca, numa gravação feita em Outubro, o empresário Jaime Garcia Dias, um dos principais envolvidos no lobby dos donos de bingos e fabricantes das máquinas caça-níqueis junto a magistrados, conversa com o vice-presidente da Associação dos Bingos do Rio de Janeiro, José Renato Granado Ferreira, sobre a construção de casinos em Portugal e Macau.

A escolha teria uma lógica: Macau foi colónia de Portugal e, em 1999, passou a ser território chinês. Em ambos, o funcionamento de casinos é permitido. As escutas indicam que Jaime Garcia Dias seria o principal intermediário dos bicheiros nos investimentos. Terá uma empresa em território português e contactos com o empresariado local e também com deputados, segundo O Dia. Que adianta que Garcia levou investidores portugueses ao Brasil para conversar com a quadrilha.

Outra gravação de Outubro reforça os objectivos do grupo. Nela, Garcia diz ao dirigente da Associação dos Bingos do Rio que se reuniria com deputados em Portugal para tratar da licença para abrir o casino. Além disso, o grupo brasileiro pretendia entrar no mercado norte-americano e, no Brasil, estava a usar lojas de Internet ( Lan Houses) para realizar jogos de azar.

Os portugueses envolvidos no caso eram proprietários do Bingo Icaraí, e actuavam como " laranjas" - representantes - dos "chefões" da criminalidade, também presos, que são Antonio Kalil ("Turcão"), Aniz Abraão David ( o"Anísio", presidente da Escola de Samba Beija-Flor) e Ailton Guimarães ( "Capitão" Guimarães, presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio.

O escândalo pode afectar a credibilidade do Carnaval, uma vez que na última edição a vitória foi da Beija-Flor e há indícios de que alguns jurados foram corrompidos por Anízio e Guimarães.

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