Maçãs vermelhas de António Carmo na Galeria do DN

Pintor expõe a partir de hoje 'Percurso', que reúne obras dos últimos dez anos da sua carreira.
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Há um objecto que perpassa a obra de António Carmo. Maçãs vermelhas, algumas em forma de quase-coração. Há um lado prosaico na escolha. "Gosto muito de maçãs", revela o pintor, cuja exposição está patente a partir de hoje na Galeria do Diário de Notícias, em Lisboa. Depois, existe uma razão poética. "Faz parte do pecado. É sugestiva e sensual." É um dos temas da sua obra.

Percurso, título escolhido pelo pintor para a exposição que agora abre as portas, reúne obras dos últimos dez anos, que já passaram por outras mostras, nacionais e internacionais. Destinos do Fado, que percorreu várias cidades do Brasil, Seduções, que passou pela galeria Alberto I, em Bruxelas, Repouso, sobre o Alentejo que passou pelo Palácio D. Manuel, em Évora, e ainda Estocolmo e Gotemburgo (Suécia) e Valência (Espanha)e ainda Navegando pelos Ateliês da Memória, quadros onde reinterpreta, com o seu traço, obras-primas de Diego Velázquez, Rubens, Magritte e Almada Negreiros. "Fui meter-me na vida dos outros, e não copiei ninguém", diz António Carmo sobre esta série de quadros. Reinterpretou obras-primas e nela inclui o seu autor e a si próprio.

Estas pinturas são as únicas, da sua obra mais recente, onde aparecem olhos. "Pintei os dos autores porque os identificam", concretiza. Prefere sempre ficar-se pela sugestão.

Da pintura de António Carmo ressalta um enorme interesse pela luz. As suas obras são explosões de cor e forma. Azuis, vermelhos, laranjas, verdes. Tons vibrantes que têm agradado bastante fora de Portugal, e sobretudo na Bélgica. "O que procuro é agarrar um tema, que até pode ser quotidiano, e transportá-lo para uma dimensão plástica universal", explica.

A sua experiência de quase 20 anos como bailarino no ballet Verde Gaio, do Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa, também está presente em todas as suas obras. "Foi uma experiência enriquecedora e em todas as minhas obras há um movimento balético", defende.

A sua primeira exposição data de 1968, na Galeria Nacional de Arte, em Lisboa. Nessa altura, António Carmo fazia apenas desenho. "Não conseguia ver a cor", admite. "Utilizei o meu desenho como intervenção social." Em 1970, ano em que pela primeira vez expôs na galeria do DN, a PIDE quis ver o seu trabalho. Os dois anos que passou na Guiné também lhe serviram de inspiração. Em 1972, pintou para denunciar a guerra colonial.

A cor é introduzida em 1985, quando a sua pintura se torna eminentemente estética e deixa a "pintura de intervenção".

Está a partir de hoje e até 17 de Abril na Avenida da Liberdade, das 12.30 às 19.30, nos dias úteis, e das 15.00 às 20.00 aos sábados e feriados. A entrada é gratuita.

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