Lula da Silva já definiu a prioridade do Partido dos Trabalhadores (PT) para os próximos meses: focar-se nas eleições de 2018 para a presidência da República, na qual surge como candidato declarado do partido, e para o Congresso Nacional, de maneira a garantir uma maioria que permita aos petistas não precisar de fazer alianças com outras forças políticas. Sem se referir ao Diretas Já, bandeira que outros dirigentes, incluindo a ex-presidente Dilma Rousseff, vêm agitando, o ex-chefe do Estado brasileiro usou o Congresso Nacional do PT, que elegerá o novo líder, como arranque de campanha.."Estou aqui para voltar a governar o Brasil, estamos todos aqui para mostrar que, se a elite não sabe resolver os problemas deste país, nós já provámos que sabemos e vamos fazê-lo outra vez", disse Lula, na reunião partidária em Brasília, no tom habitualmente inflamado com que costuma pontuar os seus discursos perante os correligionários. O presidente brasileiro de 2003 a 2010 pediu ao partido para "esquecer as brigas internas" - dois quadros relevantes, os senadores Gleisi Hoffmann e Lindbergh Farias, disputam a liderança e sucessão a Rui Falcão durante o congresso - e "focar-se nas externas".."Precisamos de transformar o nosso discurso numa estratégia que eleja presidente mas também maioria na Câmara dos Deputados e no Senado para evitarmos alianças com outros partidos", disse o antigo sindicalista, que, caso seja eleito em 2018, assumirá o Palácio do Planalto com 73 anos. "Se a esquerda for para a luta com um programa de governo fazível, eu tenho a certeza de que voltaremos a governar o país, nós não estamos com medo, nós estamos com esperança, eles é que estão com medo.".Lula reafirmou ainda a sua inocência nos cinco inquéritos, três deles relacionados com a Operação Lava-Jato, em que é réu. "Eu já provei a minha inocência, agora eles é que vão ter de provar a minha culpa, cada mentira será desmontada.".Dilma Rousseff, que sucedeu a Lula, governando de 2011 até ao impeachment que sofreu em 2016, falou em seguida sobre o tema da Lava-Jato, em que também é uma das citadas. "Eles dão o seguinte argumento: "Eles sabiam." Ora, "eles sabiam" era aquilo que a Igreja chamava de prova diabólica ou prova negativa, muito usada na Inquisição, vai chegar a hora em que vão querer fazer-nos o que faziam com as feiticeiras.".Acusando o seu antigo vice-presidente e atual chefe do Estado Michel Temer (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) de "golpista", disse que o atual regime "é uma suspensão da democracia". "Deram um golpe parlamentar que tinha como única intenção estancar a sangria e deixar que houvesse ameaças judiciais a eles", afirma. Sobre o envolvimento recente de Temer na Lava-Jato, disse que "as 21 perguntas que Eduardo Cunha [ex-presidente da Câmara dos Deputados, que se encontra atualmente preso] lhe fez quando o arrolou testemunha de defesa já eram um roteiro de investigação"..Ao contrário de Lula da Silva, no entanto, Dilma Rousseff reforçou a urgência de "diretas já". "Nós precisamos da legitimidade que só o voto dá ao governante, é "diretas já" por uma questão de sobrevivência do país", disse. "E o meu candidato é o Lula.".Em São Paulo