Lojas de prateleiras vazias já não atraem muita gente

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Maria da Luz Soares entrou na loja da Zara, na Rua de Santo António, o coração da baixa comercial de Faro, deu uma volta e saiu, com ar desapontado. "Estive a trabalhar no fim--de-semana, só hoje é que pude vir aos saldos, mas o melhor já se foi", lamentou ao DN, salientando que "nestas grandes lojas, a corrida aos melhores artigos tem de ser feita no primeiro dia de saldos".

O cenário daquela loja, ontem de manhã, era, com efeito, radicalmente diferente da avalancha de gente registada no fim-de-semana. À hora de abertura da casa, no sábado, dezenas de pessoas faziam fila para comprar peças com descontos de 50%, que muitas já tinham em mira. Em minutos a "loja ficou virada do avesso", contou uma funcionária.

Calma invulgar

Passada a euforia de sábado (no domingo, as lojas estiveram encerradas), na baixa comercial farense, dirigida à gama média/alta, vivia-se uma calma invulgar para a época do ano. "Nem parece que estamos em saldos", queixavam-se os lojistas, justificando com o facto de as pessoas terem ficado "descapitalizadas com o Natal". Muitos consumidores apontam como razão da reduzida movimentação o facto de a maioria dos estabelecimentos terem iniciado as promoções a 26 de Dezembro, como foi o caso da Mango, esgotando os melhores artigos. Consequência desta estratégia é a reduzida e pouco atractiva oferta que muitas lojas proporcionam, sobretudo aquelas que não repõem os stocks. Na Pied'Poule, de roupa feminina, grande parte das peças a 30 e 40% vendeu-se no início das promoções. Por isso já não há muitas opções.

Gestão idêntica tem a Algifa, loja de louças e utilidades, com descontos de 30 a 40% em artigos com preços acessíveis todo o ano. "Fazemos promoções rotativas de 15 em 15 dias nos produtos do primeiro andar, como serviços de copos e pratos", explica a gestora, e sublinha que "as pessoas estão habituadas a comprar barato no estabelecimento, por isso não ostentamos as palavras 'saldos' ou 'promoções' nas vitrinas".

Descontos 70% enganadores

Na baixa os saldos até 70% são poucos. A situação repete-se no centro comercial da cidade, o Fórum Algarve. Há lojas que exibem nas montras esses descontos, mas, feita a ronda no interior, depressa se conclui que não passam de duas ou três peças, regra geral de colecções anteriores. Há consumidores que se sentem, por isso, enganados, como referiram alguns ao DN.

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