O Livre vota esta quinta-feira contra a moção de censura ao Governo apresentada pela Iniciativa Liberal (IL). Com críticas ao executivo de António Costa, o partido de Rui Tavares considera, no entanto, que esta moção de censura é "inconsequente" e não apresenta uma "alternativa governativa"..Livre junta-se, assim, ao PS e ao PCP no voto contra contra a iniciativa da IL, que é hoje debatida e votada na Assembleia da República. O PSD e o BE optam pela abstenção e o Chega vota favoravelmente..Para o Livre, esta moção de censura resume-se a "um exercício de propaganda, constituindo um mero manifesto ideológico anti Estado Social e a anti Esquerda".."O voto do Livre será contra esta moção, que nem uma linha reservou para a solução governativa a este governo", lê-se na nota enviada aos membros do partido, a que o DN teve acesso..A moção de censura ao Governo, recorde-se, foi apresentada pela IL na sequência da demissão de Pedro Nuno Santos, ex-ministro das Infraestruras e da Habitação, devido à mais recente polémica da TAP, que envolve uma indemnização de 500 mil euros, paga pela companhia aérea, a Alexandra Reis, que se demitiu do cargo de secretária de Estado do Tesouro, a pedido do ministro das Finanças, Fernando Medina. Uma crise política que fez também cair o secretário de Estado das Infraestruturas.."Esta crise é a prova que maioria absoluta não é sinónimo de estabilidade governativa. Fechado sobre si próprio o PS não tem sabido ser merecedor da confiança que os portugueses lhe deram nas últimas legislativas", classifica o Livre..O partido considera que esta é uma "crise nascida da falta de escrutínio que os governantes têm, especialmente em maioria absoluta" e que a solução não passa por "exercícios propagandísticos e de marketing", mas, sim, "com propostas de soluções que evitem que novos casos como o de Alexandra Reis se repitam"..O Livre defende, por isso, que uma das soluções para que este tipo de sityaçõesnão volte a acontecer "é o escrutínio através de audições prévias dos candidatos a governantes na Assembleia da República", como acontece em vários países, assim como na União Europeia, "onde esta averiguação prévia é feita para minimizar situações irregulares e possíveis conflitos de interesses".."Esta crise provavelmente não teria acontecido se também em Portugal, antes da tomada de posse, os governantes tivessem de responder a questões da oposição. Esta é uma medida proposta pelo Livre na revisão constitucional em curso, que a realidade veio demonstrar ser essencial", refere ainda o partido..Portugal, prossegue o Livre, "não precisa de uma crise de instabilidade política como a que hoje vive", referindo que o país deve estar concentrado em soluções concretas para a vida das pessoas, das famílias e das empresas, "numa altura de forte inflação, guerra na Europa, subida das taxas Euribor, crises na saúde e na educação".