Lágrimas e alegria no dia mais feliz da carreira de Ronaldo

"Ganhei tudo a nível de clubes, faltava pela seleção. Consegui!" CR7 falou do desgosto da lesão e do momento que sempre acreditou
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Houve lágrimas de tristeza, mas no final foram sorrisos, festa e alegria. Foi assim a noite de Cristiano Ronaldo, um carrossel de emoções. Entrou no relvado do Stade de France com esperança, aquela esperança que conduzia o seu sonho. O sonho era grátis, disse ele, é bom lembrar, após o jogo com o País de Gales. Ele era um dos protagonistas para darem asas a esse sonho.

Só que aos 18 minutos Ronaldo caiu no relvado a chorar, após uma entrada dura de Dimitri Payet, que lhe atingiu o joelho esquerdo. Um lance que o árbitro Mark Clattenburg não considerou falta. Soou o alarme. Saiu do relvado a coxear, assistido pela equipa médica portuguesa, parecia que já não daria para voltar. Mas voltou, tentou suportar as dores e com o joelho ligado entrou no relvado. Era uma final, era impossível ele deixar de contar tão cedo com um dos melhores do mundo.

Só que aos 24 minutos, após um lance que ganhou a um defesa francês, voltou a cair no relvado depois de apoiar o pé esquerdo no chão. Agora era definitivo... mais lágrimas. Na bancada, os adeptos portugueses gritavam por Ronaldo, mas não dava para continuar e no relvado os companheiros rodeavam-no, procurando tranquilizá-lo. Saiu de maca em direção ao balneário. A partir daquele momento, a seleção nacional tinha de ganhar sem a sua principal estrela, agora ainda mais candidato a ganhar este ano a sua quarta Bola de Ouro.

Já depois da taça conquistada, Fernando Santos fez questão de lhe deixar um elogio sentido. "Ronaldo foi fantástico, tentou duas vezes e teve de sair, mas foi tremendo na cabina e no banco como um grande capitão mesmo sem estar em campo", assumiu o selecionador nacional. E foi precisamente isso que se viu.

Sem poder ajudar em campo, Cristiano Ronaldo sentou-se mais tarde no banco de suplentes, bem perto do selecionador Fernando Santos. Antes do prolongamento, lá estava ele junto dos colegas a dar-lhes força, a dizer-lhes que era possível. Éder foi um dos que tiveram uma palavra especial. "Sou muito de feelings. Senti que era ele que ia resolver o problema. Há coisas que não têm palavras. Ele sabe o que lhe disse. Não sou bruxo nem vidente, mas tenho feelings e sinto-os sempre. Senti que ele ia marcar e sinto-me feliz por ele", afirmou CR7 no final do jogo, já depois de ter andado a correr ao pé coxinho ao longo da linha lateral, quando era preciso defender a vantagem.

A festa no relvado assim que o árbitro apitou para o final foi tremenda e, depois, na tribuna, Ronaldo lá levantou a taça mais desejada. "Foi um dia com tristeza e alegria. O que posso dizer é que é dos momentos mais felizes da minha vida como profissional de futebol. É um momento único. Chorei e chorei outra vez há cinco minutos com a minha família, com os meus amigos. Estou muito feliz. Ganhei tudo o que tinha a ganhar a nível de clubes, mas faltava algo pela seleção. Consegui! Não foi a 100% porque tive aquela infelicidade. Não consegui como queria e tive um grande desgosto", afirmou já campeão europeu com um sorriso rasgado.

"Foram muitos anos de sacrifício, ninguém acreditava em nós. Tivemos alguma sorte, mas é preciso. Não há campeões sem sorte. O país merece, o treinador merece, a estrutura. Sempre acreditou!", acrescentou o capitão da seleção nacional, deixando depois um elogio sentido ao selecionador Fernando Santos: "Fico feliz pelo nosso treinador, que foi a pessoa mais importante no Europeu." Depois agradeceu aos portugueses e em especial "a energia dos emigrantes" ao longo do torneio.

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