Kremlin avisa que tanques ocidentais não vão mudar "nada" no campo de batalha

O presidente ucraniano pediu aos aliados para que "acelerem" o fornecimento de armamento a Kiev, em especial de tanques, para "parar com a maldade" russa. O Kremlin, por seu lado, diz que o Ocidente tem uma "ilusão dramática" de que a Ucrânia pode vencer.
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O Kremlin avisou esta sexta-feira que os tanques ocidentais vão fazer pouca diferença no conflito militar na Ucrânia, isto numa altura em que as potências ocidentais discutem um novo pacote de ajuda militar a Kiev. O Grupo de Contacto para a Ucrânia está reunido na base aérea norte-americana de Ramstein, na Alemanha, para coordenar a continuidade da assistência militar à Ucrânia.

"Não se deve exagerar a importância" desta ajuda militar "em termos da capacidade de mudar alguma coisa", disse o porta-voz do Kremlin , Dmitry Peskov.

"Isto vai acrescentar problemas para a Ucrânia, mas não vai mudar nada" no que diz respeito ao progresso russo para alcançar os seus objetivos, defendeu.

O Ocidente tem uma "ilusão dramática" de que a Ucrânia pode vencer no campo de batalha contra a Rússia, afirmou Peskov aos jornalistas.

"Vemos uma adesão à ilusão dramática sobre a possibilidade da Ucrânia ter sucesso no campo de batalha", disse o porta-voz do Kremlin referindo-se aos países ocidentais. Acrescentou que o conflito está a desenvolver-se "numa espiral ascendente".

O porta-voz do Kremlin disse ainda que se constata "um envolvimento direto e indireto dos países da NATO[no conflito]".

Peskov acrescentou que as relações entre Moscovo e Washington atingiram o seu "nível histórico mais baixo" e que não vê qualquer "esperança" que melhorem "num futuro próximo".

A posição do Kremlin foi revelada no dia em que o presidente ucraniano pediu aos aliados para que "acelerem" o fornecimento de armas a Kiev enquanto o seu país enfrenta o ataque da Rússia. O apelo de Volodymyr Zelensky foi feito durante a sua intervenção, por videoconferência, na reunião do Grupo de Contacto para a Ucrânia, criado e liderado pelos EUA, que integra cerca de 50 países.

Dirigindo-se à reunião na Base Aérea de Ramstein, na Alemanha, Zelensky disse que a ajuda militar por parte dos aliados pode "parar com a maldade" russa, referindo-se, em especial, ao fornecimento de tanques para ajudar a combater as forças russas.

Zelensky pediu para que "não negociem as quantidades de tanques, mas que comecem esta importante entrega que vai para a maldade".

Os pedidos de Kiev concentram-se sobretudo nos blindados Leopoard 2, de fabrico alemão.

O secretário norte-americano da Defesa, Lloyd Austin declarou na abertura da reunião em Ramstein que os aliados ocidentais devem aumentar a sua ajuda militar à Ucrânia "num momento decisivo" para o país.

"O povo ucraniano está a olhar para nós, o Kremlin está olhando para nós e a história está olhar para nós", acrescentou.

Antes, nas resdes sociais, o presidente ucraniano agradeceu ao seu homólogo dos EUA, Joe Biden, o novo pacote de ajuda de 2.500 milhões de dólares frisando que se trata de um "apoio importante" para combater as forças russas.

"Obrigado presidente dos EUA por proporcionar à Ucrânia outro potente pacote de apoio à defesa, no valor de 2.500 milhões de dólares (cerca de 2.300 milhões de euros)", escreveu Zelensky numa mensagem que divulgou através do Twitter.

Os blindados Stryker, Bradley e sistemas de defesa antiaérea Avenger "são uma ajuda importante na nossa luta contra o agressor", acrescentou.

O Departamento de Defesa norte-americano informou através de um comunicado de que vai enviar para Kiev 59 carros de combate Bradley, 590 mísseis antitanque TOW e 295 mil munições de 25 milímetros.

Washington vai abastecer a Ucrânia com oito sistemas de defesa antiaérea Avenger, 350 veículos Humvee, 20 mil peças de artilharia de 155 milímetros e 90 blindados Stryker, sendo que 20 estão munidos de equipamento de desminagem.

O pacote também inclui mísseis HARM, ar-terra, que se utilizam para destruir sistemas de defesa antiaérea, dois mil foguetes de artilharia anti-blindado e três milhões de munições para armas ligeiras.

Os serviços de segurança ucranianos (SBU) anunciaram, entretanto, a detenção de sete "agentes russos" na região de Dnipro, no leste do país.

"A SBU fez uma importante operação especial para expor e deter agentes inimigos", disse o chefe do SBU, Vasil Maliuk, em comunicado, citado pela AFP.

De acordo com as secretas ucranianas, os "detidos forneceram coordenadas de infraestruturas críticas [da Ucrânia]" e "recolheram informação sobre (...) movimentos das forças de Kiev" na região de Dnipro para as entregar ao exército russo.

"Estão a ser analisadas informações sobre a possível participação dos detidos no ataque russo com mísseis contra um prédio residencial em Dnipro a 14 de janeiro de 2023", acrescenta o comunicado.

Pelo menos 45 pessoas morreram no bombardeamento que atingiu um edifício em Dnipro. Este ataque foi um dos mais letais contra civis desde o início da invasão russa a 24 de fevereiro. A Rússia nega qualquer responsabilidade.

Segundo o SBU, os "sete agentes russos" detidos iniciaram as suas "atividades de reconhecimento contra a Ucrânia" em "outubro de 2022".

Para se comunicarem entre si, "usavam mensagens anônimas e transmitiam as localizações (dos alvos) através de coordenadas eletrónicas com material fotográfico", detalhou a mesma fonte.

Durante as várias buscas realizadas na região do Dnipro, os serviços secretos ucranianos também encontraram "explosivos improvisados", "equipamentos de informática e telemóveis".

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