Rússia lança novos ataques contra setor de energia ucraniano

Os ataques russos provocaram o corte no fornecimento de água a 80 por cento dos consumidores em Kiev, o que corresponde a 350.000 casas, disse o presidente da câmara de Kiev. Centenas de localidades em sete regiões da Ucrânia também ficaram sem eletricidade na sequência deste bombardeamento.
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A Ucrânia acusou esta segunda-feira a Rússia de ter feito um novo ataque de grande dimensão contra a sua infraestrutura de energia nas últimas horas, com o lançamento de mais de 50 mísseis de cruzeiro.

"Mais de 50 mísseis de cruzeiro X-101/X-555 foram lançados utilizando aviões Tu-95 e Tu-160" do norte do Mar Cáspio e da região russa de Rostov, disse a Força Aérea ucraniana na rede social Telegram, citada pela agência francesa AFP.

Os militares ucranianos disseram ter destruído 44 dos mísseis russos, segundo a agência espanhola EFE.

Centenas de localidades em sete regiões da Ucrânia ficaram sem eletricidade na sequência deste bombardeamento, afirmou o primeiro-ministro ucraniano, Denys Chmygal. O chefe do Governo de Kiev disse que mísseis e drones (aeronaves não tripuladas) danificaram 18 instalações, "na sua maioria relacionadas com a energia".

Os ataques russos também provocaram o corte no fornecimento de água a 80 por cento dos consumidores em Kiev, o que corresponde a 350.000 casas, disse o presidente da câmara da capital, Vitali Klitschko na rede social Telegram.

O chefe da diplomacia da Ucrânia, Dmytro Kuleba, comentou que "em vez de lutar em terreno militar, a Rússia está a combater civis", noticiou a AFP.

O Exército russo, entretanto, confirmou que atingiu alvos militares e infraestruturas de energia da Ucrânia.

"As forças armadas russas continuaram a atacar com armas aéreas e marítimas de alta precisão e longo alcance contra o comando militar e os sistemas de energia da Ucrânia", disse o Ministério da Defesa em comunicado.
"Os alvos de ataque foram alcançados. Todos os objetos atribuídos foram atingidos", disse.

O governo moldavo disse que um míssil russo derrubado por defesas aéreas ucranianas caiu numa localidade no norte da Moldávia, mas sem causar ferimentos.

O Ministério do Interior do país disse que o míssil caiu em Naslavcea, perto da fronteira com a Ucrânia.
"Até agora não há vítimas relatadas, mas as janelas de várias casas em Naslavcea foram destruídas", disse.

A presidência da Ucrânia tinha alertado para a possibilidade de novos ataques russos contra as instalações de energia do país.

Esta nova onda de bombardeamentos segue-se a um ataque contra a frota russa do Mar Negro em Sebastopol, na madrugada de sábado, que a Rússia atribuiu às forças ucranianas.

Na sequência desse ataque, Moscovo suspendeu o acordo sobre as exportações de cereais dos portos ucranianos, que tinha assinado, em julho, com as Nações Unidas e a Turquia.

A Rússia já tinha bombardeado em grande escala a infraestrutura de energia da Ucrânia depois de um ataque contra a Ponte da Crimeia, em 8 de outubro, que Moscovo atribuiu aos serviços secretos ucranianos.

A Ucrânia não assumiu a responsabilidade pelos ataques na Crimeia e na base da Frota do Mar Negro.

A Rússia anexou a península da Crimeia em 2014.

Sebastopol situa-se na Crimeia, mas tem o estatuto de cidade autónoma na Federação Russa, sendo a base da Frota do Mar Negro.

A Ucrânia e a generalidade da comunidade internacional não reconhecem a anexação da Crimeia nem a das regiões de Donetsk, Lugansk, Zaporijia e Kherson, já realizada pela Rússia na sequência da invasão do país vizinho, em 24 de fevereiro deste ano.

O chefe do gabinete presidencial da Ucrânia, Kyrilo Tymoshenko, também apontou os ataques russos desta segunda-feira, que atingiram várias regiões do país, noticiou a EFE.

Foram assinalados ataques a instalações críticas na região de Kirovohrad (centro-sul), bem como em Vinnytsia (centro), enquanto na região de Lviv (noroeste) as defesas antiaéreas neutralizaram vários mísseis russos, disserem os meios de comunicação social ucranianos.

Foram também relatados ataques na região de Zaporijia (sudeste), onde se encontra a maior central nuclear da Europa, e na região de Chernigiv (sudoeste).

O presidente da câmara de Kiev, Vitali Klitschko, disse que vários distritos da capital ficaram sem eletricidade devido aos novos ataques russos.

Uma parte da capital estava também sem abastecimento de água potável na manhã desta segunda-feira, segundo a agência Ukrinfrom, que cita fontes no gabinete do presidente da câmara.

As informações divulgadas pelas duas partes sobre o curso da guerra não podem ser verificadas de de imediato de forma independente.

Os novos ataques russos acontecem numa altura em que a Ucrânia efetua uma contraofensiva no sul e no leste do país, depois de ter recebido armamento dos seus aliados ocidentais.

A invasão russa da Ucrânia mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

O bombardeamento deliberado das infraestruturas de energia na Ucrânia faz recear um agravamento das condições de vida no país em guerra com a aproximação do inverno.

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