Imagine um cenário em que todo o sistema de justiça português teria uma plataforma informática única, através da qual os tribunais de 1.ª instância estariam ligados aos da Relação, que, por sua vez, estariam em comunicação permanente com todas as conservatórias dos vários registos (predial, comercial, civil e automóvel). Parece-lhe impossível? Mário Valente, presidente do Instituto das Tecnologias de Informação na Justiça (ITIJ), garante que vai ser uma realidade em meados de 2009. .Até há bem pouco tempo a Justiça contava com meia dúzia de aplicações informáticas autónomas, desligadas entre si. Os oficiais de justiça trabalhavam com uma aplicação a que os juízes não tinham acesso. Os tribunais de 1.ª instância utilizavam um sistema informático que não comunicava com os dos tribunais superiores. E os tribunais administrativos e fiscais tinham ainda uma outra aplicação informática. Os vários registos, por seu lado, também não comunicavam, o que obrigava os cidadãos a saltar de conservatória em conservatória para tratar de documentos tão simples como os de identificação automóvel. .O objectivo central da actual equipa directiva do ITIJ, presidida por Mário Valente, é o de colocar todas estas aplicações a "conversar" entre si. "As pessoas tendem a associar a desmaterialização de processos apenas ao desaparecimento das pilhas de papéis nos tribunais. Também é isso, mas acima de tudo diz respeito à modernização dos processos de trabalho nos registos e tudo isso passa pela integração de informação entre as várias aplicações informáticas". Iniciativas como a Empresa na Hora ou o Documento Único Automóvel são as faces mais visíveis do esforço de integração dos sistemas informáticos do Ministério da Justiça. .Mário Valente sublinha as virtudes do sistema federado de organização que mantém um conjunto de aplicações separadas com pontes entre si em vez de um sistema centralizado. Permite a cada organismo manter as suas aplicações e fontes de informação e evita os problemas de migração de dados e dificuldades de adaptação dos funcionários a novos sistemas. .Quanto custa.A gestão do complexo e ainda fragmentado sistema de informação da Justiça custa cerca de 20 milhões de euros por ano. Destes, cerca de 16 milhões estão a cargo do ITIJ e dividem-se entre as despesas de funcionamento (salários) e rede (informática) e de investimento. Os oito milhões de euros investidos anualmente destinam--se ao pagamento das licenças de software e à contratação de serviços externos especializados.