Juan Verde classifica Portugal como "referência" no combate às alterações climáticas

O presidente da Advanced Leadership Foundation (ALF) Juan Verde, que hoje participa na conferência sobre alterações climáticas no Porto, classificou Portugal como "uma referência" na área do ambiente e elogiou a aposta do país nas energias renováveis.
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Em entrevista à Lusa, o presidente da ALF, uma das entidades organizadores da "Climate Change Leadership Porto Summit 2018", falou sobre o seu trabalho na administração de Barack Obama, o Acordo de Paris e a mensagem que traz aos empresários portugueses, enaltecendo a política ambiental de Portugal.

"Estou familiarizado com os esforços de Portugal. O país é uma referência no que toca a fazer o que é correto. Atravessou uma profunda crise económica recentemente e continuaram os esforços para combater as alterações climáticas, fazendo uma aposta muito clara na eficiência energética, energias renováveis, para que as companhias se tornassem mais experientes em avanços tecnológicos", enalteceu.

Quando subir ao palco do Coliseu do Porto, vai passar uma mensagem "muito simples", escusando-se a falar sobre "ética, ou mudanças climáticas enquanto preocupação", mas como oportunidade económica para a comunidade empresarial, porque "o setor privado pode ser um catalisador de mudança".

"As mudanças climáticas são reais, então temos de viver numa economia de baixas emissões. Estamos no meio de uma enorme transição económica para um mundo mais sustentável e eu vou provar que já aí estamos. Quando essa transição estiver concluída, a inovação tecnológica e o empreendedorismo vão ser a chave. É aí que as oportunidades empresariais e económicas vão estar", insistiu.

Nos últimos 20 anos, antes de presidir à ALF, trabalhou nos vários níveis governamentais nos Estados Unidos da América (EUA), começando no Estado de Massachusetts, passando pela administração Clinton, o Departamento de Comércio e, anos mais tarde, serviu "a administração Obama como vice-secretário adjunto do Departamento de Comércio", estando "a cargo das trocas bilaterais e relações comerciais entre os EUA e a Europa".

"Trabalhar para o presidente Obama foi um privilégio. Senti que era um momento histórico para o mundo, em que os EUA tinham perdido a sua liderança na comunidade mundial, depois de oito anos com o presidente Bush. A chegada de Obama à Casa Branca deu uma nova esperança a toda uma geração que queria e acreditava numa significativa mudança, em assuntos como a luta às alterações climáticas e também apostar na inovação e descobertas tecnológicas, para tornar o mundo num lugar melhor", revelou.

Disse ainda que "antes de Obama, os EUA faziam parte do problema", por não terem assinado nenhum protocolo internacional, então tiveram que "partir desse ponto e fazer parte da solução", aumentando de quatro para dez mil milhões de dólares, por ano, o investimento na luta às alterações climáticas, um compromisso que se manteve durante dez anos, e que totalizou "100 mil milhões de dólares".

Reconheceu que o "maior legado" de Obama foi "convencer o resto da comunidade mundial a assinar o Acordo de Paris", e confessou-se "desapontado, triste e chateado", quando o novo presidente, Donald Trump, rompeu o documento.

Clarificou, porém, "que as ações de Trump não refletem a demanda popular, para que haja uma mudança positiva nos EUA" e indicou uma sondagem que mostra que "74% dos americanos querem que o governo faça mais para combater as alterações climáticas".

Relatou que agora começam a haver "mudanças positivas", como "manifestações por todo o país", mas também a nível governativo, visto que "23 dos 50 estados do país concordaram individualmente em cumprir o Acordo de Paris".

Declarou ainda que o Acordo de Paris "pode e deve ser melhorado", mas compreende que os acordos globais "começam com uma base de concordância fácil de aceitar".

"Temos muito a ganhar se trabalharmos juntos e a perder se não o fizermos. (...) Este problema só pode ser resolvido por uma abordagem global e é isso que me dá confiança que as coisas vão melhorar", finalizou.

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