Joyon estabelece novo recorde de volta ao mundo em solitário

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Pela segunda vez em quatro anos, Joyon quebrou o recorde

Nos primeiros minutos da madrugada de domingo, o navegador solitário francês Francis Joyon chegou em triunfo ao porto de Brest, na costa atlântica francesa, alcançando o incrível recorde de 57 dias, 13 horas, 34 minutos e 6 segundos, de circum-navegação solitária e sem escalas, uma marca que melhora em 14 dias o recorde anterior estabelecido em 2005 pela navegadora inglesa Ellen MacArthur.

Aos 51 anos, Joyon somou o seu segundo recorde de navegação à volta do mundo sem paragens e em solitário - o primeiro foi em 2004, com a marca de 72 dias, 22 h, 54 m. e 22 s. -, a bordo do iate trimarã gigante IDEC, com 29,70 metros de comprimento, 16,5 de largura, peso de 11 toneladas, mastro de 32 metros de altura e área vélica entre os 350 e 520 metros quadrados. Joyon e Ellen MacArthur são agora as duas únicas pessoas a realizarem tamanho feito oceânico em solitário.

Aclamado por uma multidão de cerca de 2000 pessoas, entre elas grandes nomes do desporto à vela francês e mundial e centena e meia de jornalistas franceses e estrangeiros, Joyon agradeceu humildemente a presença de todos e, visivelmente fatigado, reservou alguns momentos para estar com a família.

"É incrível a performance de Joyon. Tenho o maior respeito por ele. A sua capacidade marinheira foi impecável, o iate é extremamente rápido e as condições climatéricas foram ideais", afirmou Ellen MacArthur, a primeira mulher a estabelecer o recorde de navegação solitária sem escalas.

As últimas milhas desde o Equador até à meta foram uma dura prova para Joyon, que, frente a um iminente desastre a bordo - a queda do mastro -, realizou manobras arriscadas para salvar a peça. "Nos últimos quatro dias tive de subir ao mastro cinco vezes para fixar um pino de sustentação do cabo lateral do mastro", contou Joyon, dizendo que sofreu vários impactos contra o mastro de fibra de carbono devido ao estado agitado do mar.

Com o tornozelo magoado e nódoas negras em várias partes do corpo, o navegador solitário não esmoreceu e continuou a navegar em ritmo alucinante, mesmo sob os fortes ventos contrários na aproximação à baía de Biscaia e ao porto de Brest.

Um ritmo que ele imprimiu em toda a rota de 26 mil milhas de viagem, quebrando vários recordes no caminho, como a passagem de Brest ao Equador em 6 dias, 16 h e 58 m.; Brest ao cabo da Boa Esperança em 15 dias, 7 h e 16m.; Brest ao cabo Leewin, Austrália, em 22 dias, 15 h e 28 m.; Brest ao cabo Horn, América do Sul, em 35 dias, 12 h e 36m.; Brest ao Equador novamente em 48 dias, 8 h e 19 m. Isto sem contar os recordes de travessias dos oceano Índico (9 dias, 12 h e 3 m.) e Pacífico (dez dias, 14 h e 30 m.) e a rota do Equador em 41 dias, 8 h e 19m).

Atlântico e Índico

Em dez dias de viagem, Joyon já alcançava a latitude do Rio de Janeiro com um avanço de 800 milhas sobre o recorde de Ellen MacArthur, a velocidades médias estonteantes - 20,12 nós (36,21 km/h).

Além das ilhas Kerguelen, a meio do oceano Índico, Joyon registou a melhor performance em 24 horas de navegação com 616 milhas percorridas (um recorde que entretanto seria quebrado semanas depois pelo compatriota Thomas Coville, que também se havia lançado na rota, alcançando as 619 milhas em 24 horas, mas que teve de desistir da tentativa devido a avaria na proa do seu iate multicasco).

Nas altas latitudes do Pacífico

Navegando além dos 540 sul de latitude no oceano Pacífico, Joyon enfrentou um mar alteroso e ventos fortes. O dia de Natal foi passado no meio de uma tempestade medonha, com ventos de 50 nós (90 km/h) e vagas com sete metros de altura, no meio de um campo minado por icebergues.

"Envio uma mensagem a todas as crianças do mundo - o planeta não é tão grande como isso e os recursos são escassos. As crianças podem entender a importância de viver em harmonia com o planeta", escreveu ele, ecologista convicto a ponto de só utilizar energias renováveis - eólica , solar e metanol - a bordo do seu iate.

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