O caso é inédito e não se conhece outro semelhante: a escocesa Joy Milne consegue cheirar a doença de Parkinson, mesmo antes de o problema ser detetado pelos médicos. Foi com o marido que Joy se apercebeu do poder do seu olfacto. Les Milne, que morreu em junho passado, com 65 anos, foi diagnosticado com Parkinson quanto tinha 45. A doença, neurológica e degenerativa, afeta o sistema nervoso central. Mas, seis anos antes do diagnóstico oficial, Joy apercebeu-se de que algo no cheiro do seu marido se alterara. "O cheiro dele mudou e era difícil de descrever. Não foi de repente. Era muito subtil, um aroma almiscarado", recorda à BBC. "Era algo ocasional"..[youtube:pzB2RB-aDXA].Só quando, na sequência da doença do marido, começou a contactar com outras pessoas que sofriam de Parkinson - na altura em que se juntou à Parkinson's UK, uma organização sem fins lucrativos para doentes e familiares - percebeu que o cheiro e a patologia estavam associados. Reconheceu o mesmo cheiro distintivo do marido nos membros da organização que sofriam da doença e, por acaso, mencionou o facto a alguns cientistas..[artigo:3792793].Os especialistas da Universidade de Edimburgo ficaram intrigados e decidiram investigar, colocando-a à prova. "A primeira vez que testámos a Joy recrutámos seis pessoas com Parkinson e seis que não tinham a doença. Pedimos-lhes para usarem uma t-shirt durante todo o dia, depois eles devolveram-nas e nós colocámo-las em sacos, com um código. A tarefa da Joy era dizer-nos quem tinha Parkinson e quem não tinha", contou Tilo Kunath, investigador da escola de ciências biológicas da universidade de Edimburgo, à BBC..Na altura, a escocesa identificou todos os portadores da doença e, nos seis que não eram, apenas teve dúvidas em relação a uma pessoa. Os cientistas julgaram que ela acertara em todos os casos, exceto aquele que lhe levantou dúvidas, porque o participante no estudo não estava doente. Porém, oito meses depois, esse mesmo participante informou a equipa médica de que tinha sido diagnosticado com Parkinson..[artigo:4522213].Joy estava, afinal, correta em todos os casos. O fenómeno impressionou os investigadores, que decidiram aprofundar a questão. Recentemente, concluíram que a pele das pessoas com Parkinson ainda em fase inicial produz um odor particular ligado à doença. Esperam agora conseguir encontrar a "assinatura molecular" responsável por este cheiro característico e desenvolver um teste que consiga detetar a doença apenas com um esfregaço na testa do doente..A Parkinsons's UK tem financiado a pesquisa e, nesta altura, há investigadores em Manchester, Edimburgo e Londres a estudarem cerca de 200 pessoas com e sem a doença Parkinson.