José Couto: " Os Tubarões refletem toda a essência e cultura cabo-verdiana"

O último dia do Festival Música do Mundo encerrou com lotação esgotada com cerca de sete mil pessoas, segundo a organização.
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O concerto da banda Os Tubarões foi o último do palco do Castelo, desta edição do FMM Sines 2023. Antes do concerto e depois do soundcheck (ensaio de som), o DN falou com dois dos elementos d'Os Tubarões Zeca Couto (piano) e Israel Silva conhecido como Tó Tó (guitarra).

"Houve momentos muito importantes da história de Cabo Verde em que os Tubarões deram um contributo que ultrapassou apenas a questão do domínio cultural. Ccontribuímos, por exemplo, para uma grande mobilização a favor da independência do país", refere Israel Silva.

Mais de 50 anos depois da fundação da banda "a responsabilidade de subir ao palco é constante. Mesmo fora dele a nossa maneira de estar e comportar tem muito a ver com a responsabilidade que temos para com a nossa cultura e com a nossa música", conta José Couto.

"O país continua no processo longo e nada fácil de construir desenvolvimento. Ainda temos muitos desafios. Tudo isso lança outros desafios. Vamos fazendo o nosso trabalho, a nossa parte com determinação para alcançarmos o desenvolvimento e para garantirmos ao povo cabo-verdiano tem condições de vida dignas", explica Israel Silva.

B Fachada: "Há 15 anos que esperava para dar este concerto"

"Digo que há 15 anos que esperava para dar este concerto, e a verdade é agora ainda não estou", disse Bernardo Fachada em cima do palco do FMM.

"Há muitos anos que estava à espera para vir aqui porque sabia que ia estar cá a minha malta", explicou ao DN o artista depois da sua atuação

Bernardo Fachada, conhecido como B Facha, encara a indústria da música em Portugal com pessimismo. "Mantenho a minha independência para tomar conta das minhas coisas, garantir a minha persistência e tento não ter nada a ver com a indústria", referiu o cantor.

"A educação para a cultura está pobre. Precisava de haver ensino artístico logo no liceu, é nessa altura em que as pessoas têm mais facilidade em fazer os primeiros desbloqueios da capacidade criativa, como escrever um poema, pintar um quadro, entrar numa peça de teatro para que depois, quando chegarem a adultos, consigam ser pessoas mais práticas. Devíamos ter indústrias da cultura, no plural, mais saudáveis e mais descomplicadas para que se produzissem de uma maneira mais criativa", .sublinhou B Fachada.

A edição deste ano, a 23ª, do Festival Músicas do Mundo terminou este sábado.

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