Jorge Jesus: "Só vou trabalhar fora de Portugal se tiver de ser"
O antigo treinador de Benfica, Sporting e mais recentemente Al-Hilal, Jorge Jesus, regressa este domingo a Riade, na Arábia Saudita, onde irá ajudar a implementar uma academia de futebol. À partida, no aeroporto, Jesus confirmou que conta voltar a pegar numa equipa no final da época, favorecendo o regresso ao seu país: "Só vou trabalhar fora de Portugal se tiver que ser. Não posso é estar parado", admitiu. "Felizmente posso decidir. Por isso é que não quis renovar com o Al-Hilal", acrescentou.
Apesar de não contar voltar a treinar antes de julho, Jesus reconheceu que, no futebol, "hoje dizes uma coisa e amanhã, se calhar, já tens de dizer outra", pelo que deixou em aberto regressar mais rapidamente ao ativo: "Imagine que aparece uma grande equipa da Europa a dar-me essa possibilidade? Já tenho de pensar duas vezes. Mas agora a minha cabeça está neste projeto [da academia]", disse.
Caso receba de facto o convite de um dos tubarões da Europa, "com capacidades económicas", Jesus admite reforçar-se em Portugal, considerando que a jovem promessa do Benfica João Félix e o médio do Sporting Bruno Fernandes são dois nomes interessantes. Sobre este último, que considera ter descoberto em Itália quando treinava o Sporting, disse que está "a valorizar-se por toda a Europa" e que é "um jogador para jogar em qualquer das melhores equipas da Europa".
Relativamente ao campeonato português, o treinador considerou que o Benfica passou a ser o principal candidato ao título, porque "o melhor é sempre quem está em primeiro" e a equipa "fez uma boa recuperação" mas não retirou o Futebol Clube do Porto da corrida: "A luta vai ser a dois", defendeu, considerando que o Sporting "está completamente arredado" dessa discussão.
Já em relação às aspirações europeias das equipas portuguesas, disse que ver o Porto campeão europeu "vai ser muito difícil mas pode acontecer" e que o Benfica "no segundo jogo vai dar a volta" à eliminatória com o com o Dínamo de Zagreb na Liga Europa, após a derrota por 1-0 na primeira mão.
Jesus disse ainda que o facto de ter estado fora do país o fez encarar o futebol português "de uma forma diferente", defendendo ser muito importante que os seus atores comecem a ter "uma linguagem diferente" para não prejudicarem a imagem internacional do país: "É muito importante para defendermos um mercado que é das melhores coisas que nós temos, conseguirmos exportar e dizermos que somos dos melhores do mundo".