Joe Biden anuncia recandidatura à presidência dos EUA

"Vamos terminar o trabalho", disse Biden, lembrando que nos próximos anos a questão é ter "mais ou menos liberdade".
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O presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou esta terça-feira que vai ser de novo candidato às eleições presidenciais norte-americanas, agendadas para 2024.

"Todas as gerações têm um momento em que têm que defender a democracia. Defender as suas liberdades fundamentais. Acredito que este é o nosso. É por isso que estou a concorrer à reeleição como presidente dos Estados Unidos. Junte-se a nós. Vamos terminar o trabalho", declarou Biden, de 80 anos, no Twitter, onde partilhou o vídeo do anúncio oficial da recandidatura.

"Quando concorri à presidência, há quatro anos, disse que estamos numa batalha pela alma dos Estados Unidos. E ainda estamos", disse Joe Biden no vídeo intitulado "Liberdade", no qual confirmou a recandidatura.

Biden escolheu esta data para fazer o anúncio, dia em que se cumprem quatro anos desde que lançou a campanha eleitoral que o levou à Casa Branca, após derrotar Donald Trump nas eleições de 2020. Aliás, o seu antecessor também está de novo na corrida à presidência dos EUA.

Joe Biden que completaria 86 anos no final de um segundo mandato, está confiante de que aos resultados a nível legislativo e mais de 50 anos de experiência em Washington vão contar mais do que as preocupações em torno da sua idade.

"A questão que enfrentamos é se nos próximos anos teremos mais ou menos liberdade", refere no vídeo do anúncio da recandidatura, com cerca de três minutos de duração, em que sublinha que a batalha pela "alma" da América continua.

O democrata alertou para os "extremismos MAGA [acrónimo para 'Make América Great Again']", numa referência ao 'slogan' de Trump, referindo que eles se estão a preparar "para eliminar liberdades fundamentais, reduzindo a Segurança Social" que as pessoas "pagaram durante a sua vida, ao mesmo tempo que reduzem os impostos aos mais ricos".

Apesar de a recandidatura a um segundo mandado ser a decisão que tem acompanhado a maioria dos presidentes dos Estados Unidos, no caso de Biden não houve esta leitura unânime, havendo democratas a defender que não se recandidatasse devido à sua idade.

Biden, que aos 80 anos de idade é o presidente mais velho da história dos Estados Unidos, há vários meses que sinalizava que pretendia recandidatar-se.

A vice-presidente Kamala Harris neste seu primeiro mandato, será também a sua vice em 2024.

O Partido Republicano acusou esta terça-feira o Presidente dos Estados Unidos da América, Joe Biden, de estar "desligado da realidade", depois de este anunciar a sua recandidatura para 2024.

"Biden está tão desligado da realidade que pensa que merece mais quatro anos no cargo, quando tudo o que faz é criar crises", afirmou a líder do partido, Ronna McDaniel, citada pela agência France-Presse (AFP).

Biden anunciou esta terça-feira a sua recandidatura nas eleições de 2024, tendo pedido aos eleitores para lhe darem mais tempo para "terminar o trabalho" que começou quando assumiu o cargo.

Joe Biden, que em janeiro de 2021 se tornou o Presidente mais velho na história dos Estados Unidos, aos 78 anos e 61 dias, anunciou a sua recandidatura ao cargo, depois de quatro anos de uma liderança conturbada.

Biden tinha, então, cerca de mais três meses que Ronald Reagan quando este acabou o seu segundo mandato, em 1989. Agora, aos 80 anos, o chefe de Estado que nasceu em Scranton, Pensilvânia, anunciou a intenção de se manter no cargo até 2029.

Eleito em 1972 senador do Delaware pelo Partido Democrata, Joseph Robinette Biden Jr. teve desde cedo um diálogo com comunidades afro-americanas.

O "assalto" à Casa Branca ocorreu em três ocasiões: 1988, quando fracassou devido a acusações de plágio, 2008, quando acabou com 'vice' de Barack Obama, e, finalmente, em 2020, acabando por vencer o Presidente incumbente, Donald Trump.

Eleito ao lado de Kamala Harris, a primeira mulher negra e sul-asiática na vice-presidência, a promessa de Biden assentava num regresso à normalidade após a pandemia e Trump. E, no início, o país apresentou elevadas taxas de vacinação, o crescimento económico elevado e taxas de desemprego baixas e um regresso de protagonismo internacional, depois de um relativo encerramento da administração Trump à política global.

O estado de graça de Biden não se prolongou durante muito tempo, acabou logo no verão de 2021 quando os norte-americanos foram surpreendidos com uma retirada caótica do Afeganistão e com o início de uma subida histórica da inflação.

Desde aí que a popularidade de Biden tem caído, levando a dúvidas também junto do Partido Democrata quanto à possibilidade da reeleição.

Ainda assim, o 46.º Presidente dos EUA alcançou o que podem ser considerados vários sucessos neste mandato, como a orquestração da resposta ocidental à invasão russa -- e visita surpresa em Kiev em vésperas do aniversário do conflito -- ou as reformas económicas e os pacotes de apoio para fazer frente à China.

Com o anúncio hoje feito, quatro anos depois de lançar a campanha eleitoral que o levou à Casa Branca, Biden está agora autorizado a iniciar atividades para angariar dinheiro diretamente para a sua campanha, planeando jantar na sexta-feira na capital norte-americana com os principais doadores democratas e líderes do Comité Nacional Democrata, órgão executivo do partido.

Para constar nos boletins que serão presentes a milhões de norte-americanos no dia 05 de novembro de 2024, Biden terá de ultrapassar, nas primárias, os outros candidatos democratas. Por agora, a lista declarada conta com o advogado ambiental Robert F. Kennedy Jr., conhecido também pela sua postura antivacinas, e a autora de autoajuda Marianne Williamson.

Já do lado dos Republicanos, além do ex-Presidente Donald Trump, encontram-se na corrida a antiga embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, o governador do Arkansas Asa Hutchinson, o apresentador de rádio Larry Elder e o empreendedor Vivek Ramaswamy.

Por agora, e a quase 20 meses de acabar o seu mandato atual, surgem as dúvidas quanto ao rumo da liderança de Biden, embora os seus assessores insistam que não haverá grandes mudanças, mas as sondagens mostram que o Presidente não conquista uma grande confiança junto da população.

Uma sondagem da Associated Press-NORC Center for Public Affairs Research, realizada na semana passada concluiu que 26% dos americanos -- e apenas cerca de metade dos democratas -- querem ver Biden a concorrer novamente. No entanto, 81% dos democratas disseram que iriam, "pelo menos provavelmente" apoiar o Presidente numa eleição geral.

Com Lusa

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