Jardins, ruas e praças são salas de estar do Lisboa na Rua

Apresentação integral das sinfonias de Beethoven em quatro dias seguidos do Terreiro do Paço é ponto alto de programa intenso
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Rua, Lisboa e entrada livre. São estes os pressupostos da programação do Lisboa na Rua que começa na próxima quinta feira, dia 25 até ao grand finale, a 1 de outubro (Dia Mundial da Música), com a última de quatro noites consecutivas de apresentação integral das nove sinfonias de Beethoven, pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, na sala de estar do Terreiro do Paço.

A extensa programação foi feita a pensar "nos lisboetas, e nos lisboetas que estão nas periferias da cidade e até fora das fronteiras da cidade", assume Joana Gomes Cardoso, presidente da EGEAC entidade que organiza o festival, com o apoio do Turismo de Portugal.

A apresentação integral das sinfonias de Beethoven é o momento mais impactante do Lisboa na Rua. Joana Gomes Cardoso assume o risco: "é algo em qualquer sítio da Europa bastante único". Esta empreitada chega ao festival por proposta da Orquestra Metropolitana. "Inicialmente deixou-nos de olhos abertos a pensar "como é que isto se faz na rua?" Mas temos este luxo de poder oferecer este tipo de experiências inovadoras e achámos que tendo a oportunidade de o oferecer à cidade, não o podiamos recusar", conta ao DN.

Esta abordagem à obra do compositor alemão só acontecera em Lisboa em 1973 no Coliseu dos Recreios - "portanto num registo mais contido". (Em setembro a Metropolitana vai tocá-las no Forum Luísa Todi, em Setúbal, também em quatro dias sucessivos.)
Mas há mais novidades no cartaz. Aos "valores seguros" de anteriores edições, como é o jazz das Big Band ou o Sou do Fado no largo São Carlos (este ano com Gisela João, Camané e Carlos do Carmo), surgem momentos como o ciclo de cinema CineCidade, o Lisboa Soa (dedicado à arte sonora), o Chapéus na Rua e os passeios com autores do Guia Ler e Ver Lisboa ("herdados" das Festas de Lisboa).

"A cidade no seu pleno"

Por outro lado, este ano a programação estende-se a novas zonas da cidade, como São Domingos de Benfica, Carnide e Lumiar . "Há uma vontade de assumir a cidade no seu pleno, não ficar no centro histórico e alargá-la ao máximo", diz a responsável.

O "momento intenso" de turismo que a cidade vive não é esquecido no desenho do Lisboa na Rua, mas não é o foco. "Deliberadamente não quisemos fazer uma programação para turistas, não faria qualquer sentido. Daí que o que aqui temos é uma programação da cidade, para a cidade, onde os turistas são bem vindos mas não é uma programação a pensar em turistas", assume.

O Campo Grande renovado é um dos sofás do Lisboa na Rua. Mais propriamente o jardim do Museu da Cidade - Palácio Pimenta. "O CineCidade não é novidade em termos absolutos, mas sim pelo sítio onde é e pela temática, as cidades", refere.

"A nossa ideia não era descaracterizar o festival mas quisemos acrescentar algumas camadas que não eram tão de grande público mas sentimos que, sem o nosso apoio, essas iniciativas não teriam lugar. Há uma responsabilidade acrescida em ser diferenciadores e em trazer outro tipo de propostas, para além das habituais", assume.

E aqui o Lisboa Soa é uma clara aposta. Trata-se de um festival de arte sonora, "uma novidade e até em termos internacionais". Vai decorrer no Jardim da Tapada das Necessidades e é um dos eventos que Joana Gomes Cardoso não quer perder. "Vou tentar ir pelo menos uma vez a tudo, mas estou com muita curiosidade de assistir a filmes e gosto deles todos, Lisboa Soa não é uma área que me seja familiar mas estou com muita vontade de descobrir e de aprender este universo da arte sonora, as integrais não sei se vou conseguir ir a todas mas vou tentar, pode vir a ser algo muito especial.

Apetece-me dançar o fado dançante do Pedro Joia, os concertos todos do fado no Largo do São Carlos", diz.

Leve o casaquinho

A programação é, já se disse, extensa. Por essa razão a responsável da EGEAC dá alguns conselhos a quem quiser viver este Lisboa na Rua. "Estejam muito atentos ao facebook e ao site, há muita informação prática e de horários, vamos fazer muitas atualizações. Recomendo às pessoas que venham um pouco agasalhadas porque nunca se sabe. E depois venham abertas a deixarem-se surpreender, não fiquem preocupadas quando virem tanta coisa, não fiquem nervosas, deixem-se levar pelo embalo do Lisboa na Rua e percam-se!"

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