Já são 5 000 os jovens e adultos chineses a aprender português em Macau

Cerca de 5 000 jovens e adultos de língua materna chinesa estudam o português em instituições de Macau que ensinam a língua de Camões.
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"Macau é uma terra multicultural, com uma forte presença portuguesa e o Governo tem feito um esforço de promoção do português, porque é importante que os nossos estudantes aprendam a essência da cultura e da história de Macau", disse à agência Lusa a chefe do departamento de ensino dos Serviços de Educação de Macau, Vicky Leong.

A mesma responsável salientou a importância da aprendizagem do português nos planos legal e político, dado que a própria Lei Básica de Macau, a lei fundamental, estipula que o português e chinês são línguas oficiais, bem como no plano económico, devido ao papel de plataforma da cidade entre a China e a lusofonia.

"Não podemos esquecer também o plano educacional, cultural e histórico, o papel de Macau como ponto de encontro entre o oriente e o ocidente e o facto de a cidade ser, multicultural, logo os nossos jovens serem cidadãos do mundo", sublinhou.

Com cerca de 3 000 alunos a estudar português nas escolas oficiais, as escolas Luso-Chinesas, Macau tem outros 1 500 estudantes da língua de Camões nas escolas particulares, apoiados por nove professores contratados pelos serviços de Educação, que contam com o apoio do Instituto Português do Oriente na área da formação de docentes.

Há ainda outras centenas que participam em actividades de verão, estudando a língua na Escola Portuguesa para ingressarem em universidades de Portugal e outros que estão em Portugal.

No Instituto Português do Oriente cerca de 3 000 pessoas aprendem português anualmente nos diversos níveis de ensino, desde funcionários públicos a profissionais do sector privado, como advogados, e alunos das escolas e universidades do território.

Além da função de difusor da língua e cultura portuguesas, o IPOR é também responsável pela formação de cerca de 250 alunos do Instituto de Formação Turística de Macau, que escolhem o português como língua opcional, bem como dos professores das escolas do território, e por cursos solicitados pelos serviços públicos da região.

Para Rui Rocha, presidente do IPOR, o interesse pelo português "tem vindo a crescer, porque há cinco ou seis anos a China deu sinais claros de que o português era uma língua de interesse económico", defendeu.

"A China sempre entendeu que, em termos de estratégia comercial e diplomática, aprender línguas é fundamental, mas Portugal nunca teve essa preocupação", observou o responsável, salientando que "há um sinal claro de que a China está muito interessada em que o português seja uma língua de utilidade económica, porque tem dois grandes segmentos de mercado no mundo que são o Brasil e Angola".

Por outro lado, acrescentou, "vê-se a evolução do ensino do português nas universidades chinesas, mas infelizmente não temos aí uma intervenção tão grande, por questões económicas, e os brasileiros estão claramente a ocupar esse mercado", lamentou.

O Politécnico de Macau também promove a difusão do português.

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