Como que a dar razão ao Professor Salazar, segundo o qual beber vinho era "dar de comer a um milhão de portugueses", o Governo não tocou, patrioticamente, no IVA do vinho, optando antes por subir o da água suja do capitalismo (vulgo Coca- -Cola) e o do leite com chocolate e dos suminhos e néctares de frutas, estes tão saudáveis e essenciais para a alimentação infantil e juvenil (a a miudagem ainda não vota, por isso...)..Por um desses estranhos e inexplicáveis processos de associação mental que nos assaltam de vez em quando, dei comigo a recordar a quantidade de refrigerantes que havia em Portugal quando eu era miúdo, e nem sequer se sonhava com IVA, PEC, stress bancário e outras conquistas da democracia..Se fosse hoje, lá arcavam com mais 17 por cento de IVA a gasosa Areeiro, as laranjadas e gasosas Bota (que se bebiam quase exclusivamente no Algarve e tinham mesmo uma bota daquelas rústicas gravada no rótulo), a laranjada Buçaco (não era só águas, lá no Buçaco), a gasosa BB (de Bem Boa, claro), a Laranjina C, com a sua garrafinha bojuda a pedir dieta, a Spur Cola (um indigesto substituto da então proibida Coca-Cola), ou a laranjada Canada Dry (carregadinha de corantes, e nós ralados). Acho que de todos estes, só mesmo o Sumol é que sobreviveu para ser ingloriamente taxado a 23 por cento, juntamente com a Ginger Ale da Schweppes..Havia ainda o remoto "pirolito", com o seu berlinde no fundo da garrafa. Hoje, não só o berlinde seria proibido pelos zelosos burocratas de Bruxelas, porque as criancinhas podiam asfixiar, como o Governo taxaria o "pirolito"... e o próprio berlinde.