Israelitas angustiados procuram familiares desaparecidos após ataque do Hamas

Dezenas de famílias israelitas procuraram este domingo informações sobre entes queridos desaparecidos, um dia depois de militantes palestinianos do Hamas terem desencadeado um ataque surpresa e levado reféns, alguns deles feridos, para a faixa de Gaza. Mais de 100 israelitas foram feitos reféns, confirmou o governo.
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"Eu só quero poder abraçá-lo", diz Omri Shtivi, 30 anos, cujo irmão Idan desapareceu depois de uma rave no deserto, perto da fronteira de Gaza, ter sido atacada por militantes do Hamas.

Em declarações à AFP por telefone, Shtivi diz que as autoridades não contactaram a família para fornecer informações ou oferecer ajuda para encontrar o seu irmão.

A polícia e o Comando da Frente Interna do Exército abriram na noite de sábado - cerca de 16 horas após o início dos combates - um "centro de comando para pessoas desaparecidas" perto do Aeroporto Internacional Ben Gurion, perto de Lod, no centro de Israel.

Mor Strikovski, 42 anos, chegou lá no domingo para relatar o desaparecimento da sua mãe, uma residente de 63 anos do Kibutz Beeri, que ela acredita estar detida em Gaza.

"Ontem foi um dia realmente difícil", disse Strikovski à AFP, lembrando que combatentes do Hamas mataram no sábado vários moradores de Beeri e mantiveram dezenas de reféns antes de uma operação de resgate noturna das forças especiais israelitas.

"Hoje recebi um vídeo mostrando que ela foi sequestrada", disse. "A minha prima... viu no Telegram e perguntou-me se eu a reconhecia." O Hamas "sequestrou-a em sua casa com o marido e dois vizinhos", acrescentou Strikovski.

"Achamos que eles estão em Gaza, por isso estou aqui para relatar isso", diz esta mulher, expressando esperança de que os militantes "tratem bem" a mãe "e que ela retorne em segurança".

Dezenas de pessoas que chegaram domingo ao centro de comando foram recebidas por assistentes sociais, antes de compartilharem com os policiais qualquer informação que pudessem ter sobre os seus parentes.

Foram solicitadas a fornecer itens pessoais dos quais amostras de ADN pudessem ser extraídas, tais como escovas de dente, lâminas de barbear ou roupas usadas.

Num laboratório forense próximo, as amostras são cruzadas com um banco de dados com ADN extraído de cadáveres.

Mas com centenas de mortes confirmadas e dezenas ainda desaparecidas, o processo pode demorar muito, diz Shelly Harush, comandante da polícia que supervisiona a operação.

Ao sair do centro de comando, algumas pessoas choram e abraçam-se. Visivelmente abalados e exaustos, muitos recusaram-se a falar com a comunicação social.

Moradores da cidade vizinha de Lod esperam do lado de fora para oferecer bebidas e comida às famílias.

Ester Borochov, 19 anos, que sobreviveu ao ataque na rave, disse ao Canal 12 de Israel que "eles (militantes do Hamas) começaram a atirar contra nós à queima-roupa", mas a jovem conseguiu fugir de carro antes de este ser atingido pelas balas".

"Um jovem levou-nos no seu jipe. Eles atiraram sobre ele, ele perdeu a consciência e o carro capotou", disse Ester.
"Nós fingimo-nos de mortos, eu e o meu amigo, por duas horas e meia... antes que a ajuda chegasse", disse Borochov. "Foi assim que sobrevivemos."

A dor dos desaparecidos também ultrapassou as fronteiras de Israel. A mãe de Shani Louk, uma jovem germano-israelita de 22 anos que participou nesta festa rave, pediu ajuda para encontrá-la depois de identificar Louk num vídeo que mostra militantes em Gaza.

Também a embaixada de Israel na Grã-Bretanha informou que um cidadão britânico "está em Gaza". Não identificou o homem nem confirmou se ele foi sequestrado, mas a mãe de Jake Marlowe, jovem britânico de 26 anos, disse que o filho fazia segurança na rave.

Também um número desconhecido de norte-americanos está entre os reféns feitos pelo Hamas, confirmou este domingo o embaixador israelita nos Estados Unidos.

Um vídeo supostamente vindo de Gaza no qual apareciam Shiri Bivas, residente de Nir Oz, juntamente com seu bebé Kfir, de nove meses, e o filho Ariel, de três anos, deixou inquieto o primo de Bivas, Yifat Zilber. "Todas as informações que temos vêm principalmente das redes sociais", disse Zilber à AFP por telefone.

"Não temos ideia do que aconteceu com o marido dela (de Bivas), Yarden" e com os pais, que Zilber disse que também foram "provavelmente sequestrados", mas não aparecem no vídeo. "Queremos que eles voltem em segurança", desabafa Zilber, com a voz embargada. "Eles são civis inocentes. Existem organismos internacionais destinados a proteger civis inocentes... têm de intervir."

Adva Adar também soube por um vídeo que circula nas redes sociais que a sua avó, Yaffa Adar, de 85 anos, também de Nir Oz, foi sequestrada.

"Ontem, por volta das 8h (05h GMT), perdemos contato com ela", disse a neta aos repórteres por videoconferência. Quando as forças do exército finalmente chegaram à casa, por volta das 17h, ela estava "totalmente destruída, reduzida a cinzas" e a avó de Adva "não estava lá".

"Não consigo imaginar o quanto ela está assustada e desconfortável. Ela tem 85 anos, está doente, sem remédios. Não sabemos onde ela está ou se tem comida ou água" Adva Adar também disse que "ainda não ouvimos nada" das autoridades. "Nem nos nossos piores pesadelos imaginávamos isso."

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