Irmão mata irmão por ciúmes e vingança

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A Polícia Judiciária deteve, ontem, o jovem V., de 17 anos, que terá confessado o homicídio do irmão mais novo, Ricardo Alexandre Carreira, que ia fazer 12 anos amanhã. Presente ao juiz do Tribunal de Leiria para primeiro interrogatório, ficou em prisão preventiva a aguardar o desenrolar do processo no estabelecimento prisional de Leiria.

A criança foi morta anteontem, pouco depois das 17 horas. Atingida pelo menos por três facadas, no pescoço, no peito e no abdómen, não resistiu. Encontrava-se numa zona de difícil acesso, num pinhal, a uns três quilómetros de casa, no lugar de Vale de Catarina, Caranguejeira, Leiria, onde costumava acompanhar o pai no motocrosse.

V. terá admitido a autoria do homicídio. Se não o fez à Polícia Judiciária (PJ) ou à Gurada Nacional Republicana, que estiverem no local, tê-lo-á feito em tribunal. Por outro lado, amigos próximos da família dizem que telefonou à mãe, ontem de manhã, para lhe comunicar que matara Ricardo. Quando lhe perguntaram porquê, terá respondido: "Por muitas razões."

Terá sido, igualmente, V. a chamar o 112, descrevendo um cenário de agressão em que uma pessoa se encontrava gravemente ferida. Quando chegou a viatura do INEM, o médico limitou-se a confirmar o óbito.

A vítima era uma criança "afável e bem disposta, muito querida de toda a gente" e que "os pais mimavam", mesmo agora que estavam separados, dizem os vizinhos, aqueles que afirmam conhecer a família há anos. Já o irmão mais velho, V., é apontado com sendo "muito reservado" e um filho que "mantinha há muito uma relação agressiva, de grande conflito, com a mãe".

Por essa razão, explicam as mesmas pessoas, V. terá cometido o crime para se vingar dela. E quando já estava detido pela PJ, decidiu fazer o telefonema, permitido por lei aos detidos, para o telemóvel pessoal da mãe.

Do outro lado da linha atendeu outra pessoa. A voz que ele reconhecia, assegura a mesma fonte, respondeu que ela estava a dormir medicada e que por isso não o podia atender. Então, V. terá respondido: "Eu só lhe queria dizer que fui eu que o matei." Quando a pessoa lhe perguntou porquê, respondeu que tinha "muitas razões para o fazer". A história desta conversa foi contada ao DN por uma vizinha 'próxima' da família, mas que solicitou o anonimato e associa este caso dramático aos ciúmes que V. teria de Ricardo, por achar que a mãe gostava muito dele.

Os problemas que levaram o autor confesso a matar o irmão ter-se-ão agravado, ou espoletado, com a separação dos pais, em Dezembro do ano passado. Mas o casal mantinha, há anos, uma relação difícil, asseguram diversas vizinhas, o que terá levado à separação.

Neste processo, Ricardo, a vítima, ficou a viver com a mãe, numa casa na localidade de Pousos, V. com o pai. Moravam na casa do casal em Vale de Catarina e desconhece-se como atraiu o irmão ao pinhal. Ao que o DN apurou, Ricardo estaria a passar uns dias de férias com eles. A mãe continua a trabalhar nas empresas da família: o pai, Arlindo, tem uma serralharia e Fernanda, a mãe, ocupa-se dos serviços administrativos.

"Não queremos meter-nos na vida de niguém", dizem vizinhos e conhecidos. Todavia, não deixam de contar aquilo que julgam saber sobre a separação do casal e que, afirmam, "não é segredo" na aldeia. Maior facilidade, mostrava qualquer morador, ontem, depois da notícia da morte, em declarar que "matou por ciúmes".

Eram dois irmãos que "mostravam dar-se bem". No entanto, os últimos sinais de atenção e "mimo" para Ricardo, da parte dos pais, revelaram-se com novos presentes. A mãe comprou-lhe um telemóvel e o pai uma pequena mota que ele usava para o acompanhar no motocross. Além disso, ninguém sobe explicar como havia sido tomada a decisão de "partilha" dos filhos. Uma vizinha disse ao DN que o mais velho optou por ficar com o pai.

Ao que tudo indica, V, sentir-se-ia, de algum modo, extremamente desagradado com a mãe e teria ciúmes da dedicação que mostrava por Ricardo. Tudo indicações de quem "conhece" problemas familiares de vizinhos que "até podem ser diferentes", admite. Já Joaquina Martins é uma das vizinhas sem dúvidas de que "ele matou por ciúmes".

Também ninguém estranhou que Ricardo saísse de bicicleta da casa do pai e fosse andar por aqueles lados que iam dar ao pinhal. Nem sequer que o mais velho fosse lá ter. Há outros miúdos da aldeia que "costumam andar por aí de bicicleta", adianta Cândida Carreira, moradora numa das casas mais próximas, na Rua da Paz, em Vale de Catarina, a casa da família. V. era conhecido por várias raparigas da sua idade que o DN encontrou, mas que desconheciam que ele terninara este ano o 11.º ano na Escola Secundária Rodrigues Lobo.|

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