Stuart Russel, que é considerado um dos mais importantes investigadores mundiais em IA, com vasto trabalho em robótica e bioinformática, participa na quarta-feira no encerramento da conferência do Ciclo Fidelidade-Culturgest dedicado à Inteligência Artificial, em Lisboa..Em resposta escrita a questões da Lusa, Stuart Russell disse que a Inteligência Artificial, "tal como o fogo e a energia atómica, é uma poderosa energia que pode trazer grandes benefícios, mas pode também ser mal utilizada"..E deu exemplos já conhecidos dessa má utilização, nomeadamente na "amplificação" de preconceitos raciais ou de género, "na mudança gradual da opinião política das pessoas através das redes sociais" e os "primeiros passos na criação de armas autónomas".."Acho que é também razoável ser cético relativamente a um campo que promete criar IA ao nível humano, mas não oferece ideias de como controlá-lo assim que criado", prosseguiu o investigador.."Embora os filmes e os media falem sempre da IA tornar-se 'consciente', a verdadeira questão é a IA tornar-se 'competente'", sublinhou, adiantando que o "problema do controlo" é o tema sobre o qual está a trabalhar neste momento..Questionado sobre quais são os grandes desafios da Inteligência Artificial, Stuart Russell afirmou: "Assumindo que conseguimos ultrapassar os problemas de uso indevido e resolver o problema de controlo de uma IA cada vez mais inteligente, há muitos benefícios a curto prazo que podemos esperar"..Veículos autónomos que tornam as viagens mais seguras, melhor educação e melhor saúde, a aceleração da investigação científica, maior acesso ao conhecimento ou assistentes digitais que apoiam a vida diária dos cidadãos são alguns dos exemplos apontados pelo professor de Engenharia Eletrotécnica e Ciências da Computação na Universidade da Califórnia, Berkeley, e professor adjunto de Neurocirurgia da Universidade da Califórnia, em São Francisco..No entanto, "existem vários problemas importantes por resolver antes de podermos disponibilizar a IA no seu propósito geral, que significa Inteligência Artificial com a mesma amplitude e flexibilidade como os humanos", argumentou..Ou seja, o grande propósito da IA é "dar-nos acesso a uma inteligência maior, o que significa uma mudança na civilização"..Questionado sobre qual será o impacto da Inteligência Artificial na vida diária dos cidadãos, o investigador considerou que a civilização será muito mais produtiva.."Em 1780, se quisesse viajar até à Austrália, isso seria um projeto de vários anos, de vários milhões de dólares, com um elevado risco de morte. Agora, bastam apenas alguns toques no telemóvel e aguardar" a indicação de "viagem como serviço", disse..Com a proposta geral da IA, "será 'tudo como um serviço'", apontou, salientando que a civilização tornar-se-á "mais produtiva" e a vida das pessoas será "mais fácil"..Tudo isto assumindo que "nós iremos trabalhar politicamente na forma como assegurar que todos estão incluídos", acrescentou..Isto porque aquilo a que todos chamam atualmente "trabalho" será realizado de uma melhor forma e mais barata "pelas máquinas", destacou..Por isso, "precisamos também de descobrir como é que os humanos podem estar produtivamente envolvidos na sociedade, em vez de apenas serem consumidores de produtos e de entretenimento", desafiou..Stuart Russell é considerado um pioneiro na compreensão e uso da Inteligência Artificial, refletindo sobre o futuro entre a máquina e os humanos.