A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) vai utilizar um drone nas ações de fiscalização. A pequena aeronave está em testes e o objetivo é utilizá-la para localizar pessoas em áreas de grande dimensão, por exemplo, em campos agrícolas, e ajudar a identificar situações de trabalho não declarado..A compra do drone, que custou 4800 euros, segundo informação do inspetor-geral, Pedro Pimenta Braz, avançada ao Jornal de Negócios, foi revelada pelos sindicatos num comunicado divulgado nesta terça-feira, em que exigem a substituição da atual direção da ACT..Os sindicatos dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP) e dos Inspetores do Trabalho (SIT) apelaram hoje à substituição da direção da ACT pela "falta de resposta aos problemas" dos funcionários..No comunicado, os sindicatos referem ter transmitido à tutela que a atual direção "se tem afirmado como fator de instabilidade através de atitudes persecutórias incompreensíveis, tendo simultaneamente reafirmado a total disponibilidade dos trabalhadores para lutarem, por todos os meios, pelos seus objetivos, incluindo a greve"..Com efeito, continuam, "em vésperas de comemorar 100 anos da Inspeção do Trabalho em Portugal, os seus trabalhadores deparam-se hoje com inúmeras dificuldades e constrangimentos, impeditivos do melhor desempenho da sua missão, não obstante a dedicação e o espírito de sacrifício que, apesar de tudo, não têm deixado de demonstrar"..Na base das exigências feitas pelos trabalhadores está a necessidade de proceder à reforma da ACT e da respetiva lei orgânica, a recusa da existência de "inspetores infiltrados" nas empresas e da eventual utilização de aeronaves telecomandadas (drones) na sua atividade, bem como o registo informático dos tempos de trabalho nos serviços operacionais, "o qual não se compadece com a realidade inspetiva"..Os sindicatos falam ainda na "necessidade imperativa e urgente" de se proceder à admissão de novos inspetores, técnicos e administrativos para cumprimento das exigências da Organização Internacional do Trabalho, a reposição das 35 horas de trabalho semanal, a aplicação da jornada contínua em proteção da parentalidade e a recuperação das competências em matéria de segurança e saúde na Administração Pública..Os trabalhadores querem ainda "que que haja mais respeito pelas funções inspetivas", exigem "a devolução dos montantes ilegalmente subtraídos aos inspetores que fazem greve ao trabalho extraordinário" e a melhoria da intervenção nas empresas e criação de melhores condições para combate ao trabalho precário ilegal, entre outras reivindicações.