Inquérito não confirma tese do erro humano

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A Aeronáutica brasileira, que conduz o inquérito sobre o acidente do voo 3054 da TAM, no dia 17, em São Paulo, considera que é prematura a conclusão de que a origem da tragédia esteve num erro de pilotagem. As autoridades não excluem esse cenário, adiantado no sábado pela revista Veja, mas sublinham que "as hipóteses apresentadas na informação [da revista] estão entre várias que estamos a investigar com a mesma profundidade".

Na catástrofe do aeroporto de Congonhas morreram 199 pessoas. Segundo a Veja, o acidente foi causado por um erro do piloto Kleyber Lima. As caixas negras recuperadas do avião, insiste a reportagem, indicaram que as alavancas que comandam os motores durante a aterragem estavam em posição incorrecta. Um dos motores travou o aparelho, o outro acelerou-o.

O artigo afirma que a mesma situação ocorreu com dois outros acidentes envolvendo modelos A320, um deles nas Filipinas, sem vítimas. Os aviões puderam aterrar, pois as pistas eram extensas e permitiram manobras de emergência.

O brigadeiro da força aérea responsável pela investigação do voo TAM 3054, Jorge Kersul Filho, explicou à imprensa brasileira que o acidente pode ter tido várias causas. Questionado sobre a tese da Veja, o comandante do Centro de Investigação de Acidentes Aeronáuticos disse que "apenas um [factor] não vai provocar um acidente".

A tragédia de Congonhas já teve consequências políticas, como a demissão do ministro da Defesa, mas o caso pode ser mais grave, caso se comprove uma falha de segurança. Ontem, em São Paulo, junto do aeroporto, realizou-se uma manifestação de solidariedade com as vítimas, mas o movimento transformou-se num protesto pela falta de segurança nos transportes aéreos brasileiros. "Chega de passividade", diziam os manifestantes, entre críticas ao presidente Lula da Silva.|

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