Incêndio na Petrogal traz de novo medo à população

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A Galp Energia vai abrir um inquérito às causas do acidente que ontem causou um ferido grave na refinaria de Leça da Palmeira, na sequência de várias explosões, seguidas de incêndio, na "bacia de tempestades", próximo da unidade de aromáticos. Isto numa altura em que a refinaria está paralisada para manutenção.

Trabalhadores e vizinhos não ganharam para o susto. Faltavam cerca de dez minutos para as onze da manhã quando se ouviram as explosões. A densa coluna de fumo negro que se elevou no ar fez temer o pior. Segundo Luís Colmonero, director da refinaria, "tratou-se de um incêndio que deflagrou na estação de tratamento de efluentes, contendo hidrocarbonetos", com consequências menos graves do que inicialmente se receou.

O acidente provocou um ferido ligeiro com queimaduras de 1.º e 2.º grau na face e vias aéreas, adiantou o director do Departamento de Emergência Médica no INEM, Nelson Pereira. "O ferido, com 29 anos, foi ventilado e transportado para o hospital da Prelada", referiu. Na refinaria foi ainda assistido outro trabalhador que se sentiu mal devido à inalação de fumos, mas teve alta no local.

Após o alarme foram de imediato accionados os planos de emergência interno e externos, tendo ocorrido à refinaria, além da corporação da Petrogal, cerca de cem bombeiros e 40 viaturas de, pelo menos, 15 corporações do distrito do Porto.

O que motivou elogios do director da refinaria e do presidente da câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto. "Fiquei muito satisfeito com a resposta das autoridades", disse o autarca. Que quer apurar as causas do acidente para que isso contribua para "reforçar todos os procedimentos de segurança interna, no âmbito da colaboração que existe com a câmara".

Para Paulo Granjo, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa que desenvolveu vários estudos sobre os perigos das refinarias, um dos problemas reside no facto de ter sido autorizada a construção de casas tão próximas da refinaria. "Podem sempre existir acidentes. Uns menores, como hoje [ontem], outros maiores, que podem pôr em perigo a segurança e saúde das pessoas", explicou ao DN. Questionado se a Petrogal deve continuar ali, Paulo Granjo lembra que não é culpa da refinaria a proximidade das habitações, mas defende que os moradores têm razões de queixa: "Têm todo o direito de exigir condições de segurança, à câmara e empresa". |

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