Huambo renasce das cinzas para ser capital ecológica de Angola

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Eleições. Autoridades de Luanda têm planos ambiciosos para a segunda cidade do país

Modelo é a cidade brasileira de Curitiba, uma referência mundial

A cidade do Huambo está a posicionar-se para ser a capital ecológica de Angola e pretende afirmar-se como uma referência internacional, à semelhança de Curitiba, no Brasil. O primeiro passo para estas aspirações foi dado com a criação, por deliberação do governo provincial do Huambo, da Casa Ecológica, adiantou o seu responsável, Júnior Chinendele. Instalada em pleno jardim botânico, no eixo verde que cruza toda a cidade, "esta casa poderá trabalhar com vários sectores da província, socioeconómicos e culturais, para fazer sensibilização, educação e formação ambiental", disse Júnior Chinendele.

"A procura é massiva", adiantou, "mais do que aquilo que podemos oferecer, o que quer dizer que a expectativa é enorme".

Além do trabalho junto de empresas, autoridades políticas e escolas, a Casa Ecológica tem o propósito de atingir uma dimensão internacional, afirmando-se como referência da África Austral, tal como Curitiba na América do Sul, tendo o governo provincial firmado compromissos com a CPLP e instituições universitárias estrangeiras, como a Universidade Livre do Meio Ambiente do Brasil.

Além daquelas instituições, o Governo do Huambo está também em contacto com o Instituto Jaime Lerner, nome do antigo governador brasileiro do Paraná que fez a revolução ecológica de Curitiba.

Uma parte da Casa Ecológica foi construída com materiais biodegradáveis como madeira, favos abertos nas paredes permitem arrefecer o interior, hélices no tecto utilizam o vento para renovar o ar e painéis fotovoltaicos no telhado convertem energia solar em electricidade.

O exemplo ecológico começa nesta casa e pretende-se que seja expandido pela cidade e por toda a província que, segundo Júnior Chinendele, tem grande tradição em matéria ambiental, além de forte currículo em termos académicos.

Por outro lado, o Huambo, explicou, situa-se no centro de Angola, a elevada altitude, muitos dos rios do país nascem na província, o que permite pensar no seu potencial hídrico.

De acordo com Chinendele, o ambiente em Angola está longe de ser recomendável. Os solos estão degradados e sofrem de erosão, por uso excessivo e exposição prolongada à poluição de fontes domésticas, árvores têm sido indiscriminadamente abatidas para transformação em lenha, a biodiversidade registou uma acentuada redução durante a guerra.

Palco de alguns dos momentos mais violentos da guerra civil angolana, o Huambo é hoje um deserto em termos de vida animal, estando a universidade local a preparar um estudo para avaliar a perda da biodiversidade durante o conflito. No próprio jardim botânico, onde se ergue a Casa Ecológica, muitas espécies de plantas e animais desapareceram durante a guerra que, no Huambo, se desenrolou dentro da cidade.

O jardim botânico é hoje muito procurado por estudantes e pelos habitantes da cidade para passear, o que posiciona a Casa Ecológica para ser um laboratório ecológico através de uma oficina do ambiente.

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