O Centro Hospitalar de Torres Vedras abriu um processo interno de averiguações para apurar eventual negligência nas mortes de duas mulheres, de 18 e 34 anos, atendidas nas urgências. O presidente do conselho de administração, Campos Pinheiro, está, no entanto, convicto de que não houve negligência, justificando o inquérito com a necessidade de transparência, para «assegurar a boa relação com a população». A Inspecção-Geral da Saúde está a acompanhar o caso e admite avocar o processo se o inquérito interno do hospital for inconclusivo ou indiciar falhas no atendimento..As conclusões do processo estarão prontas dentro de 12 dias. «São duas mortes pouco habituais para a idade das doentes e pelo curto espaço temporal que as separou», explicou ao DN Campos Pinheiro..Os colegas da jovem de 18 anos anunciaram que vão fazer uma manifestação, na quarta-feira, em frente ao hospital para mostrarem o seu descontentamento «face à ausência de meios de diagnóstico» na unidade. Em resposta, Campos Pinheiro deslocou-se ontem à escola para explicar os cuidados que foram prestados à utente. «A manifestação está ainda a ser ponderada e é, acima de tudo, uma homenagem à colega. Se vierem, cá estarei para os receber», diz..A jovem de 18 anos faleceu a 31 de Outubro devido a um acidente vascular cerebral (AVC). Entrou na urgência queixando-se de dores de cabeça e foi referenciada para o Hospital de São José, pois a unidade de Torres Vedras não tem serviço de neurologia. «Os exames efectuados no São José não identificaram qualquer problema e a jovem recebeu alta com a indicação de voltar ao hospital se os sintomas se mantivessem». A jovem voltou às urgências, e um novo TAC revelou uma obstrução num vaso cerebral. Foi operada, mas, três dias depois, sofreu um novo AVC, acabando por falecer. A outra utente, de 34 anos, morreu a 5 de Novembro devido a um problema digestivo, e também após ter sido submetida a uma cirurgia ao estômago naquele hospital.. *Com Lusa