Hollywood pensa duas vezes antes de usar grandes estrelas

Alguns dos filmes mais rentáveis do ano não tinham nomes sonantes no elenco, invertendo uma tendência que se verificou durante anos.
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A presença de um nome sonante no cartaz promocional costumava contribuir para o sucesso de um filme. Hoje, contudo, são muitos os estúdios que começam a pensar duas vezes antes de apostarem apenas na contratação de caras conhecidas do grande público. Deve-se ao clima económico adverso, mas também ao facto de, nos últimos tempos, vários filmes terem tido sucesso nas bilheteiras, mesmo sem estrelas no elenco.

O sucesso de A Ressaca, de Todd Phillips, é ilustrativo desta tendência. Apesar dos actores não serem conhecidos do grande público, uma comédia com um modesto orçamento de 23,5 milhões de euros fez cerca de 310 milhões de euros nas bilheteiras internacionais, tornando-se num dos êxitos maiores de 2009. O sucesso deve-se em parte ao argumento, centrado em três amigos que acordam em Las Vegas, depois de uma festa de despedida de solteiro, apenas para descobrirem que o futuro noivo desapareceu e eles não se lembram de grande parte do que se passou na noite anterior.

E poder-se-iam apontar outros exemplos. Como Distrito 9, de Neill Blomkamp, que custou cerca de 20 milhões de euros e, até ao momento, já conseguiu cerca de 134 milhões de euros em bilheteira.

"Olhando para a listagem dos filmes mais lucrativos deste verão, é fácil de entender que não foram os grandes nomes que potenciaram o seu sucesso", concorda Peter Guber, o actual presidente da produtora Mandalay Entertain-ment e o antigo patrão da Sony Pictures. Enquanto estas fitas, com orçamentos relativamente baixos, ao encontro do actual contexto económico, têm sido bem recebidas pelos espectadores, filmes mais caros, onde entram actores famosos, não rendem sequer o suficiente para cobrir o orçamento.

Foi o que ocorreu com Imagine That, protagonizado por Eddie Murphy, cujas receitas não ultrapassaram os 10 milhões de euros, apesar de ter custado 37 milhões. Ou Funny People, de Judd Apatow, e com Adam Sandler. Também ainda não se estreou em Portugal mas até ao momento só fez 37 milhões de euros (apesar de ter um orçamento estimado em 50 milhões).

Brevemente vão estrear-se em Portugal dois filmes que são representativos deste fenómeno. Um Conto de Natal, rodado por Robert Zemeckis e protagonizado por Jim Carrey, abriu muito abaixo das expectativas nos EUA, apesar de um orçamento estimado entre os 117 milhões e os 134 milhões de euros. Por outro lado, Lua Nova, o segundo capítulo da série Crepúsculo, deverá ser um dos maiores sucessos do Natal, apesar do orçamento não ser elevado. E mesmo que os protagonistas, Robert Pattinson e Kristen Stewart, comecem agora a dar que falar, foi graças à prequela que eles se tornaram conhecidos.

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