Hess, que nasceu em 1890, era batizado protestante. Contudo, a mãe era judia. Segundo as leis raciais de Nuremberga, isso fazia dele um judeu e um alvo para a perseguição nazi. .Numa carta, datada de 19 de agosto de 1940, o líder das SS, Heinrich Himmler (um dos arquitetos da Solução Final), dá instruções para que a polícia secreta não seja "importunado", acrescentando que esse é o "desejo do Führer". .A carta foi descoberta por Susanne Mauss, do jornal "Jewish Voice from Germany", que investigava os arquivos da Gestapo para preparar um trabalho sobre os "advogados sem lei", sobre a história dos advogados de origem judia em Düsseldorf. A carta foi publicada na edição deste mês do jornal. .Antes da carta ser escrita, Hess (condecorado pelo seu serviço na Primeira Guerra Mundial) foi agredido pelos nazis em 1936 e obrigado a fugir para a Itália. Nessa altura, escreveu a Hitler, pedindo-lhe um regime de excepção, devido ao seu serviço pela pátria. .Contudo, a protecção de Hitler não durou, de acordo com a AFP. Em 1941, Hess foi enviado para o campo de concentração de Milbertshofen, perto de Munique. Apesar das condições de detenção, o antigo juiz sobreviveu, tendo feito depois carreira nos caminhos de ferro alemães. Morreu a 14 de setembro de 1983, em Frankfurt.