Hitler protegeu antigo companheiro de armas judeu

Uma carta descoberta nos arquivos da Gestapo revela que Adolf Hitler ofereceu proteção a Ernst Hess, um juiz do tribunal de instrução de Düsseldorf, que durante a Primeira Guerra Mundial chegou a ser chefe da sua companhia, no 16.º regimento de infantaria.
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Hess, que nasceu em 1890, era batizado protestante. Contudo, a mãe era judia. Segundo as leis raciais de Nuremberga, isso fazia dele um judeu e um alvo para a perseguição nazi.

Numa carta, datada de 19 de agosto de 1940, o líder das SS, Heinrich Himmler (um dos arquitetos da Solução Final), dá instruções para que a polícia secreta não seja "importunado", acrescentando que esse é o "desejo do Führer".

A carta foi descoberta por Susanne Mauss, do jornal "Jewish Voice from Germany", que investigava os arquivos da Gestapo para preparar um trabalho sobre os "advogados sem lei", sobre a história dos advogados de origem judia em Düsseldorf. A carta foi publicada na edição deste mês do jornal.

Antes da carta ser escrita, Hess (condecorado pelo seu serviço na Primeira Guerra Mundial) foi agredido pelos nazis em 1936 e obrigado a fugir para a Itália. Nessa altura, escreveu a Hitler, pedindo-lhe um regime de excepção, devido ao seu serviço pela pátria.

Contudo, a protecção de Hitler não durou, de acordo com a AFP. Em 1941, Hess foi enviado para o campo de concentração de Milbertshofen, perto de Munique. Apesar das condições de detenção, o antigo juiz sobreviveu, tendo feito depois carreira nos caminhos de ferro alemães. Morreu a 14 de setembro de 1983, em Frankfurt.

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