História de um mergulho na crise

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Um novo estádio é um sonho tão antigo quanto a memória dos adeptos alcança. Como a de António Firmino, ex-atleta do «Salgueiral», agora com 68 anos: «Já na minha altura se falava em construir um estádio e falhou.» O estado em que está o terreno onde era suposto avançar o projecto do novo estádio, em Arca D'Água, é uma imagem fiel do estado em que se encontra o clube de Paranhos: submerso. O retrato, também, da gestão de José António Linhares durante os nove anos em que esteve na presidência, acusam os sócios. Em 1998, quando começaram os trabalhos de terraplanagem para o novo recinto e o clube vivia ainda na elite do futebol português, os dias pareciam risonhos para o terceiro maior emblema da cidade do Porto. Mas as obras nunca conheceram outra etapa (o terreno é agora um enorme lago onde decorrem alguns «campeonatos» amadores de pesca), o clube desceu à II Liga no início deste século, o velhinho estádio de Vidal Pinheiro foi vendido para dar lugar a uma estação da metro do Porto e o processo de autodestruição do popular Salgueiros ganhou velocidade vertiginosa. O dinheiro da venda do velho recinto - cerca de 1,7 milhões de euros - de pouco serviu ao clube. Oficialmente, foi todo para pagar uma hipoteca ao proprietário dos terrenos. Mas o mais duro golpe surgiu no início desta época, quando o clube foi relegado administrativamente para a II divisão B por falta de pagamento de uma dívida (650 mil euros) à Liga de Clubes. A maioria dos jogadores rescindiu contrato e, como a dívida ainda não foi regularizada, o Salgueiros não pode inscrever atletas, apresentando uma equipa formada por juniores. O DN falou com José António Linhares, mas o presidente cessante recusou comentar as acusações de que é alvo, garantindo apenas que daria, «em breve [ontem à noite]», uma conferência de imprensa «para esclarecer tudo».

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