Hidroterapia auxilia crianças a 'esquecer' os problemas graves

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Nadar, mergulhar e brincar com o colchão são as três coisas de que a Bruna Pedrosa, de nove anos, mais gosta de fazer nas sessões de hidroterapia que realiza, desde há dois anos, nas piscinas da GesLoures.

Talvez por gostar tanto de água, o maior sonho desta criança é ser bióloga marinha para poder trabalhar com golfinhos. Mas enquanto não tem o oceano, vai-se contentando com a piscina: «Adoro estar na água porque me sinto mais livre», conta ao DN.

Nestas simples palavras está a grande razão de ser das aulas de hidroterapia. A Bruna sofre de artrite reumatóide desde os quatro anos de idade, tem 61% de invalidez e é esta terapia que a faz sentir-se melhor, ter mais mobilidade e menos dores. «Desde que aqui anda, a Bruna tem melhorado muito porque não só se mexe melhor como lida com todo o tipo de crianças, o que é muito bom para ela», afirma a mãe, Carla Pedrosa.

Todas as semanas, a menina é submetida a sessões de quimioterapia e é seguida por médicos de quase todas as especialidades, em vários hospitais de Lisboa. «Até por psicólogos ela tem que ser acompanhada porque não se conforma com o facto de a doença ter aparecido logo aos quatro anos de idade», explica a mãe. «É dentro de água que ela esquece tudo isso e se diverte, ao mesmo tempo que faz ginástica e melhora o seu estado de saúde», acrescenta.

Estas sessões de hidroterapia abrangem crianças de várias freguesias do concelho de Loures e são gratuitas, resultado de um protocolo assinado entre a empresa municipal GesLoures e a CERCI Lisboa, que disponibiliza um técnico para acompanhar as crianças dentro da água.

Sónia Coelho, especialista em reabilitação psicomotora, nota já alguma evolução nos seus alunos. «Muitas vezes, de uma sessão para a outra, já se notam resultados, principalmente porque eles aprendem a movimentar-se no meio aquático de uma forma lúdica e divertida», afirma.

Um progresso testemunhado pelas mães e pais que, dentro de água, assistem os seus filhos. Segundo Cecília Cachorreiro, «sem qualquer dúvida, a hidroterapia tem feito o meu filho evoluir». No início, o João Pedro, de quatro anos, fugia da água e agora a sua relação com o meio aquático é completamente diferente: «Ele não quer outra coisa, mergulha, está mais autónomo e tem muito mais liberdade de movimentos», conta.

O pequeno João Pedro tem a «síndroma klippel trenaunay», que se traduz numa assimetria do crescimento do corpo e em problemas na fala. De acordo com a mãe, trata-se de uma «hipertrofia no corpo e na cabeça, que faz aumentar apenas alguns órgãos e ossos, ou seja, ele pode vir a ter uma perna maior do que outra».

Através da terapia na água, o João tem-se tornado mais comunicativo, factor que se nota na própria relação que estabelece com a mãe: «Não tem nada a ver! Desde que aqui estamos ele está muito melhor, expressa-se mais e está mais sociável.»

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