A argentina Erika Rosenberg, biógrafa e herdeira de Emilie Schindler, mulher do chamado "bom alemão", quer que as autoridades norte-americanas impeçam a leiloeira M.I.T. Memorabilia de vender uma cópia da lista, com uma base de licitação de 1,5 milhões de dólares (cerca de 1,1 milhões de euros), de acordo com documentos judiciais a que a agência espanhola Efe teve hoje acesso..Residente em Buenos Aires e autora de "Yo, Oskar Schindler", a escritora considera que o documento apresentado em Nova Iorque não é "uma cópia verdadeira" da lista e que a sua venda causaria "danos irreparáveis" aos seus interesses, enquanto única herdeira dos direitos sobre esse documento e outros bens da família Schindler..No procedimento judicial apresentado ao Supremo Tribunal do estado de Nova Iorque, Rosenberg refere que o coleccionador Gary Zimet, responsável da M.I.T. Memorabilia, a contactou em Março último, quando foi anunciado o leilão, para lhe pedir dinheiro caso quisesse que a empresa recuasse no propósito de vender a lista que apresenta como documento histórico..Zimet publicitou então o leilão, garantindo que o documento foi elaborado pelo próprio Schindler (1908-1974) e pelo seu contabilista Itzhak Stern (1901-1969) e que se trata da única cópia existente, que se encontrava nas mãos de um coleccionador privado da lista que deu origem ao filme com o mesmo nome, realizado em 1993 por Steven Spielberg..Segundo o coleccionador, que chegou a pedir 2,2 milhões de dólares (1,7 milhões de euros) pelo documento, a lista data de 18 de Abril de 1945, tem 13 páginas e contém 801 nomes, com datas de nascimento e profissões dos distintos trabalhadores judeus..Nos documentos judiciais apresentados pelos seus advogados, Rosenberg explica como conheceu a viúva de Schindler em 1990, quando esta ainda residia em Buenos Aires, para onde o casal fugiu depois do final da II Guerra Mundial e onde o empresário alemão deixou a mulher quando decidiu regressar à Alemanha para tentar recuperar o seu património..Erika Rosenberg e Emilie Schindler tornaram-se amigas e assim se iniciou o seu trabalho para editar as memórias do casal Schindler, uma colaboração que desembocou numa relação estreita..Por esse motivo, a escritora argentina "assegurou-se de que todas as necessidades" da alemã fossem "satisfeitas, até à sua morte, em 2001", na Alemanha..A viúva de Schindler nomeou Rosenberg herdeira, o que a tornou detentora dos "direitos e interesses adquiridos" da Lista de Schindler e outros documentos encontrados em 1999 numa pasta que pertenceu ao empresário..Nessa pasta, encontrada na última casa em que Schindler morou antes de morrer, na Alemanha, havia mais de 7000 fotografias e documentos, entre os quais a famosa lista, que agora está num museu em Israel..A herdeira pede que se prove que a cópia que Zimet quer vender é verdadeira - coisa de que duvida - e indica no pedido que em Abril de 2009 foi encontrado outro exemplar da célebre lista na Austrália, entre os documentos reunidos por Tom Keneally para escrever "A Arca de Schindler", livro em que Spielberg se baseou para fazer o filme.