Há mais 16 mil jovens sem emprego desde há um ano

Número de indivíduos desempregados entre os 16 e os 24 anos aumentou 28%, contabilizando-se 74,9 mil no final de julho
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Ainda que o desemprego em Portugal não tenha sofrido grandes oscilações em julho face ao mês anterior, tendo-se fixado nas 329,9 mil pessoas, o número de jovens que se encontravam sem trabalho naquela mesma altura aumentou 28,4% em termos homólogos, passando de 58,3 mil para 74,9 mil, ou seja, um incremento de 16,6 mil indivíduos num ano, segundo os dados provisórios divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

O agravamento deste quadro não se cinge à comparação com 2022. Olhando para as tabelas do gabinete estatístico, é possível perceber que, desde o final de junho - que até tinha apresentado uma descida mensal de 1,6%, ou 1,2 mil pessoas, em relação a maio, para 71,4 mil jovens -, ocorreu uma subida de 4,9% no somatório de desempregados com idade compreendida entre os 16 e os 24 anos, o que, em valores absolutos, reflete um acréscimo de 3,5 mil.

Ora, considerando que o total de população desempregada no sétimo mês do ano (ajustado à sazonalidade) aponta para as 329,9 mil pessoas, os jovens assumem um peso de 22,7% na conta. Este rácio, que tem em conta a proporção de jovens no universo de desempregados, também subiu em relação a julho do ano passado, quando se dava conta de 310 mil pessoas em situação de desemprego: são agora mais 3,9 pontos percentuais, face aos 18,8% registados naquele período.

Já no que diz respeito à taxa de desemprego jovem, o INE estima que se tenha situado nos 19,2%, subindo 0,9 pontos percentuais relativamente ao mês anterior e 1,5 pontos percentuais face aos 17,7% homólogos.

330 mil sem emprego, mas mais proativos
Em julho, a taxa de desemprego estabilizou nos 6,3%, mantendo-se idêntica à do mês anterior - o que, traduzindo por números absolutos, significa que 3,4 mil pessoas saíram da situação de desemprego desde o final de junho de 2023. Não obstante, a mesma taxa ficou-se 0,3 pontos percentuais acima da verificada em igual período do ano passado, contabilizando-se mais 19,9 mil pessoas desempregadas.

Os dados do Instituto Nacional de Estatística mostram que o desemprego se reduziu quer nas mulheres, como nos homens, mas que o género feminino continua a assumir a maior fatia no total de população desempregada: 173,5 mil contra 156,4 mil do lado masculino. Por grupo etário, como já mencionado, o desemprego aumentou nos jovens, tendo, em contrapartida, diminuído nos adultos (25 a 74 anos).

Quanto à subutilização do trabalho - que agrega a população desempregada, o subemprego de trabalhadores a tempo parcial, os inativos à procura de emprego mas não disponíveis e os inativos disponíveis mas que não procuram emprego - aumentou 1,6%, ou 10,2 mil pessoas, desde há um ano, passando a totalizar 629,6 mil indivíduos. Já em comparação com junho passado, observou-se uma diminuição de 6,3 mil indivíduos (-0,9%).

Ainda sobre a comparação homóloga anual deste indicador, é de destacar uma maior proatividade no universo de desempregados, uma vez que o número de pessoas inativas que não procuram emprego conheceu um decréscimo de cerca de 12% face a julho do ano anterior, passando de 127,4 mil para 112 mil pessoas, ou seja, uma redução na ordem das 15,4 mil pessoas.

Do outro lado, e já no que se refere ao total de pessoas empregadas em Portugal, o gabinete estatístico fez saber que, no sétimo mês do ano, havia cerca de 4932,7 mil cidadãos em situação de emprego, o que reflete um decréscimo de 2,7 mil em comparação com o mês anterior, mas um crescimento 62,7 mil pessoas relativamente a julho de 2022.

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