Ventos de 100 km/h atingem Portugal

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Chuvas intensas, trovoadas e ventos com rajadas que poderão atingir os 100 quilómetros por hora chegam hoje a Portugal, como consequência da tempestade tropical Vince. O alerta vem do Instituto de Meteorologia (IM) que, embora considere que não há razão para alarme, admite não ter registo de um fenómeno semelhante no passado. A circulação nas pontes 25 de Abril e Vasco da Gama poderá ser restringida caso os ventos atinjam velocidades superiores a 80 km/hora.

Segundo explicou ao DN a meteorologista Isabel Soares, o Vince, "o ex-furacão" que ontem se encontrava a 200 quilómetros a noroeste do Arquipélago da Madeira, "tem vindo a perder intensidade e é actualmente uma tempestade tropical". No entanto, e ao contrário do que é habitual, a tempestade não se dirige para a América, mas antes para o continente europeu. A sua passagem pelo território nacional está prevista para esta madrugada e manhã, embora "já em fase de dissipação", isto é, "já sem muitas das características agressivas que tem no mar".

Mesmo assim, e de acordo com a previsão do IM, espera-se para hoje fortes chuvadas, trovoadas e a intensificação do vento, com rajadas que podem atingir os 100 km/hora, "sobretudo no litoral e nas terras altas". Uma estimativa que levou, ontem à noite, o instituto a colocar os 18 distritos do Continente em "alerta amarelo" - o mais baixo dos três níveis de aviso, justificável sempre que são recomendáveis alguns cuidados entre a população (ver caixa).

Nos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria, Lisboa, Setúbal, Beja e Faro - zonas costeiras -, o alerta amarelo estende-se à agitação marítima, devido à "altura significativa das ondas".

"O cenário não é muito distinto do que por vezes se passa no País no Inverno, mas tem um nome e uma história diferente", comentou Isabel Soares, esclarecendo que o que "não é normal" é que uma tempestade tropical atinja a Europa. Aliás, acrescenta, segundo o próprio Centro Nacional de Furacões, com sede em Miami, - e que anteontem alertou para a invulgar trajectória do Vince - esta é uma temporada de furacões particularmente intensa, de que o Katrina ou o Rita são exemplos recentes.

A contribuir para a formação do fenómeno, inédito no Velho Continente, estará a "massa de ar quente, húmida e instável", na qual a tempestade Vince está englobada, assim como a temperatura da água do mar nessa zona - "24 ou 25 graus".

Ontem, a tempestade afectava já a costa norte da Madeira, com ventos de até 50 km/h. Em Portuval Continental, o mau tempo que já se fazia sentir provocou os primeiros estragos de um Inverno que se avizinha rigoroso. Só em Lisboa, os Bombeiros Sapadores receberam 140 pedidos de ajuda devido a pequenas inundações e a quedas de objectos. "É o normal quando começam as primeiras chuvas. Os algerozes não estão limpos, há muito lixo nas ruas", explicou ao DN fonte daquela corporação. Entre a 08.00 e as 19.00 de ontem, o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil registou, em todo o país, 160 inundações e 16 quedas de objectos. Évora e Beja foram, para além de Lisboa, os distritos mais afectados.

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